(Renata Jubran/Estadão Conteúdo/22/07/1995) O santista sabe que é bairrista e, assim, se sente orgulhoso por contar com o pão de cará como patrimônio imaterial da Cidade. E há ainda mais para se envaidecer. Santos possui um dos mais antigos festivais de teatro do País e, para completar, promove um dos mais agitados festivais literários do Brasil, cujo início se dará no próximo dia 30. Falo da Tarrafa Literária, que neste ano homenageia Plínio Marcos. Plínio é um dos maiores dramaturgos e escritores brasileiros. Natural de Santos, conhecido por sua escrita visceral, foi um dos autores mais censurados do Brasil. O dramaturgo abordou temas marginais e realidades sociais esquecidas. Sua obra retratou com brutalidade a pobreza, a violência e a injustiça social, sempre dando voz a personagens das periferias. A Tarrafa Literária, idealizada pelo livreiro José Luiz Tahan, proprietário resistente da charmosa Realejo Livros, uma livraria de rua e também ponto de encontro de escritores e leitores da região (que também é editora). O local sobrevive pela teimosia e idealismo do dono, que nos brinda com sua insistência em criar um público leitor crítico. O evento traz sempre escritores de ponta e novidades que despontam pelo País e fora dele. E nós, santistas e moradores das cidades vizinhas, não podemos ficar de fora. A programação é toda gratuita. Estudantes, professores, iniciados em Letras, leitores, escritores, todos que amam os livros precisam desse encontro. O evento começa dia 30, com a abertura no Sesc Santos, com direito a uma homenagem a Plínio Marcos e show de Edivaldo Santana, e vai até dia 3 de novembro, com programação das 15h às 19h, no Teatro Guarany, que fica na Praça dos Andradas, 100, no Centro Histórico de Santos. Dia 31, às 18h30, eu lançarei um romance juvenil no festival, Os Meninos do Escolástica, pela Editora Jandaíra. A obra se passa em Santos e traz muita poesia aos canais que atravessam a vida de jovens de diferentes realidades sociais dessa encantadora cidade. No dia 1º, às 14h, acontece importante palestra com a contadora de histórias e escritora Penélope Martins. Ela falará sobre o desafio de construir uma Escola Leitora. Além da agenda principal, haverá um encontro imperdível, no dia 14, às 19 horas, no Centro Cultural Português (Rua Amador Bueno, 188), reunindo os escritores portugueses José Eduardo Agualusa e Mia Couto. Espero que nos encontremos por lá! *Jornalista e escritora