Nessa primeira fase, histórias que carregam ancestralidade de diferentes etnias conectam o leitor à natureza baseando-se em relatos orais dos povos originários (Reprodução) Abril está chegando e muitas escolas falarão dos povos indígenas. Mas há assunto para o ano todo, essa é uma mudança que precisa ocorrer no currículo escolar: dar formação para professores terem mais conhecimento dos diversos povos e culturas indígenas. Enquanto isso ainda não acontece, deixo aqui um apoio para os educadores: a coleção Vozes Originárias, que tem obras de autores e ilustradores de diversas etnias, como balatiponé, guarani, guató, kaiangang, kambeba, kayapó, kurã-bakairi, karipuna, macuxi, maraguá, payayá, sateré-mawé, tabajara, tupinambá, tuxá e waíkhana. Eles compõem um projeto da PeraBook Editora, que integra o grupo Elo, que visa levar para a literatura infantojuvenil temas contemporâneos por meio de projetos de leitura que suscitem debates sobre educação socioemocional e promoção do respeito e à diversidade. E mais: todas as obras têm acessibilidade. Nessa primeira fase, histórias que carregam ancestralidade de diferentes etnias conectam o leitor à natureza baseando-se em relatos orais dos povos originários. As obras que já foram lançadas: Corixo dos Bichos (foto), de Gleycielli Nonato, primeira escritora indígena do Mato Grosso do Sul, da etnia Guató, com ilustrações da artista plástica Alexandra Tupinambá Krenak, fala sobre os segredos das águas do pantanal e a biodiversidade da região. Amazonas: Um Rio de Muitas Histórias (foto), do poeta Tiago Hakiy e do ilustrador Fernando Zenshô, que apresentam o rio a partir do olhar dos sateré-mawé. Potyra, a Menina que se Tornou Flor, de Roni Wasiry Guará e Alexandra Tupinambá Krenak que narram a origem de uma tradição do povo maraguá. Fogueira, mãe curandeira, de autoria de Edson Kayapó, ilustrada pelo premiado Maurício Negro, fala da importância do fogo nas culturas dos povos indígenas. Já Samaumeira, a Árvore da Vida, de Márcia Wayna Kambeba, com ilustrações de Cris Eich, que trata da proteção dos encantados para com a natureza, e O Roubo da Cuia, de Mayara Sigwalt, ilustrado por Tai, conta as aventuras de uma descendente kaingang que busca recuperar a cuia do seu povo levada anos atrás para a Dinamarca e que está num museu. A coleção tem outras histórias e pode ser conhecida no site www.perabookeditora.com.br. A editora da coleção, Luciane Ortiz, contou que se comprometeu em buscar histórias de diversas etnias para desconstruir qualquer estereótipo que pudesse reduzir os indígenas como um só povo ou cultura única. “Há autores que antes de iniciar um texto pedem permissão aos seus ancestrais para narrar aquela história, que é fruto de um coletivo e não propriedade de um único autor. Também temos a presença dos encantados, que mostram a força e a importância deles no cotidiano dos indígenas”. Como é lindo ver escritores do povo, e seus descendentes, na aldeia ou na cidade tendo espaço para contar as suas histórias. Fica a dica dessa coleção rica na diversidade da cosmovisão de variados povos originários do Brasil.