(Sharon McCutcheon/ Unsplash) Na semana passada, tive a oportunidade de participar da Festa da Palavra, organizada pelo Fórum da Cidadania em Santos. Todo o evento foi muito bem planejado e parabenizo a ativista Fabi Mesquita em nome de toda equipe. Todos os temas foram corajosos e desafiadores. Mas, para mim, um deles foi muito fecundo: literatura antirracista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Que diálogo importante, que riqueza poder ouvir os autores negros da Cidade e da região: Bartô, um monumento da resistência negra em diversas áreas, como cultura, educação e política; Ana Lucia Santos, professora-mestra e poeta; Ana Paula Rodrigues, educadora e escritora infantil – orgulho para mim ter tido o privilégio de ter sido a primeira a publicar as duas pela Amare Editora; Nego Panda, capoeirista, poeta e editor independente; e Dyego Ogeyd, poeta LGBTQIA+. Não gosto de dizer a expressão “dar voz”, até porque voz todos eles têm, por isso, digo que precisamos mesmo é aprender a ouvir, para não corrermos o risco de acreditar numa história única, como diz Chimamanda Adichie. Conhecer apenas os fatos do ponto de vista do colonizador, e não dos povos colonizados. Ou seja, está na hora de não negros e não indígenas ouvirem as vozes dos escritores não brancos, e, principalmente, das mulheres. E que seleto púbico tivemos na Festa da Palavra! Um gosto estar ao lado de escritoras e poetas como Eunice Tomé, Clara Sznifer, Christiane Andrea e Cynthia Panca, Alessandro Atanes, Flávio Viegas, professora Conceição e Eliane Pimenta, do Programa Nacional de Incentivo à Leitura da Baixada Santista (Proler), entre outras e outros escritores maravilhosos. Todos atentos à necessidade de que temos de trazer a bibliodiversidade e, dentro dela, a inclusão para nossas casas, escolas e bibliotecas. E formar mediadores de leitura, figuras ímpares para ajudar na seleção e apresentação do livro e de autores contemporâneos para crianças e jovens, de uma forma prazerosa, artística, e não como obrigação, prova ou castigo para os mais inquietos. Obras para crianças e jovens que tragam personagens negros e indígenas como protagonistas e em situações cotidianas, em que todos os personagens são negros e a história é para todos. Vou dar um exemplo: a excelente obra Santos, Cidade Libertária, de Bartô. Em formato de HQ, com alguns poemas do autor e ilustrados por Kleber Santos Nunes, editora Coletivo Imaginário. A história mostra uma família negra que, apesar de enfrentar o racismo quase que diariamente, conhece em casa mais sobre o papel importante de Quintino Lacerda, Maria Patrícia e Pai Felipe, entre outros, que, além de serem excelentes profissionais lutaram contra o racismo em Santos. A nossa Cidade que foi exemplo na luta pela abolição e, por isso, chamada Santos Libertária, tendo como lema em sua bandeira: terra da caridade e da liberdade. Um livro que deveria estar nas escolas para inspirar diálogos sobre o combate ao racismo. Pode ser comprado na Futrika, à Rua XV de Novembro, 146, no Centro de Santos. Serviço: Santos, cidade libertária. Autor: Bartolomeu Pereira de Souza. Ilustrações: Kleber Santos Nunes. Editora: Imaginário Coletivo . Páginas: 52. R\$ 30,00.