[[legacy_image_203746]] Debate (1) No bloco final do debate na Band, Lula, após ser definido por Bolsonaro como presidiário, requereu e obteve direito de resposta, oportunidade em que reiterou que, em relação à condenação na Lava Jato, foi absolvido pela ONU e pelo Supremo Tribunal Federal. Não é bem assim. Trata-se de um histrionismo do Lula bazofiando quimera, falácia e lenidade. O Comitê da ONU não afirmou a inocência do Lula. Recorde-se que Lula foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O Comitê de Direitos Humanos da ONU, em Genebra (Suíça), é composto por 18 especialistas independentes que trabalham de forma voluntária, não são funcionários da ONU. O órgão não tem mecanismos para forçar seu cumprimento e a ONU não pode, por força de seu estatuto, intervir em um estado membro. A decisão do Comitê da ONU de caráter vinculante, na prática, não tem como obrigar que a Justiça brasileira a adote como um parâmetro para casos envolvendo o ex-presidente Lula. Acentue-se que o Comitê da ONU não nega a corrupção na Petrobras ou afirma a inocência de Lula, que foi referendada por três instâncias do Judiciário brasileiro, sob o crivo de nove magistrados. Quanto à decisão favorável a Lula no Supremo Tribunal Federal, pode-se inferir que houve digressão, excentricidade e permissividade. Alguns ministros do STF entenderam, transigentemente, que Lula não teve seus direitos respeitados ao longo do processo conduzido pelo juiz Sérgio Moro. Ínclitos ministros do STF resta a dúvida conceitual quanto aos demais 8 juízes de duas instâncias superiores que confirmaram as condenações de Lula. Ao fim e ao cabo, ficou claro que os processos foram anulados por razões técnicas, nunca ficou provada a inocência de Lula diante das acusações. Na sequência, tem-se a lamentar que o retorno dos processos contra Lula à estaca zero acabou provocando a prescrição da pretensão punitiva, ou seja, terminou o prazo estabelecido na legislação penal para punição de crimes, caso Lula fosse considerado culpado. Sigamos, pois, em frente. Lula ainda é réu em mais 7 processos e há ainda outras denúncias apresentadas que aguardam sentença. “Take it easy”. Sua saga continua, Lula. Junios Paes Leme - Santos Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Debate (2) No debate entre os seis candidatos a presidente da República, na noite de domingo, começou a ficar evidente a armação que fizeram para tirar o ex-presidente Lula e o PT da corrida eleitoral de 2018. Bastava que despejassem uma boa dose de ódio, e colocassem o ex-presidente Lula na cadeia com um rótulo na testa de ladrão e corrupto, que qualquer um mais eloquente ganharia as eleições de 2018. Ficou mais claro ainda porque, quando o presidente Jair Bolsonaro se referia ao Lula, sempre o chamava de ‘ex- presidiário’, que pediu direito de resposta, no qual lhe foi concedido. Para quem sabe distinguir, o debate, na realidade, era para saber o que os dois mais bem colocados nas pesquisas (Lula e Bolsonaro) tinham para dizer ao povo. Quanto aos planos de governo, o mais diferente dos outros foi o da senadora Soraya Thronicke, que falou que, se eleita for, colocará para o povo um imposto único. Será que ela quer governar sem a participação do Parlamento? No mais, nada de novo foi acrescentado ao que já sabíamos que iria acontecer no debate. Josemilton de S. e Silva - Vicente de Carvalho Nicarágua Muito oportuna a coluna de Percival Puggina, publicada quarta-feira (31), que aborda a perseguição religiosa sofrida pela Igreja Católica na ditadura nicaraguense. O autor relata muito bem os fatos, portanto, não vou repeti-los. Em vez disso, quero abordar dois pontos importantes. Primeiro, a CNBB não é um órgão da Igreja, suas posições não são respaldadas pela Igreja tampouco. É um clube de bispos idosos saudosistas do Muro de Berlim. Segundo, o autor faz bem em chamar atenção para um fato que muitos esquecem: as revoluções costumam devorar seus próprios filhos. Foi assim na Revolução Francesa com os jacobinos, nos expurgos de Stálin e na Alemanha nazista. Para um revolucionário, imbuído de sede de sangue como Che Guevara disse, um inimigo é menos perigoso que um aliado que mudou de ideia. João Paulo Vernieri - Santos