(Célia Xakriabá/X) Desde que o nosso imenso Brasil foi descoberto, em sua maioria, o povo brasileiro imita os índios. Estes nativos buscam na natureza, ao seu redor, alimentos e materiais prontos para sua subsistência. Eles estão certos? Sob o ponto de vista ecológico eles seriam elogiados. Mas, sob o ponto de vista da evolução humana e da longevidade, eles não lograriam êxito. Infelizmente, no Brasil, os índios vivem em média, pouco mais de 40 anos. Por definição, a cultura extrativista é a prática de obter recursos naturais para fins econômicos ou subsistência. Ela abrange três tipos: extrativismo animal, extrativismo vegetal e extrativismo mineral. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os cuidados com a saúde e com a educação são determinantes para que um país se desenvolva plenamente. Infelizmente, o ranço do extrativismo embute nas crianças a lei do pouco esforço e a falácia das aparências se sobrepõe ao técnico, tal qual como os índios. Eles colhem o que a natureza lhes dá, caçam animais e se pintam. Nas cidades de hoje, por meio dos deliverys, a caça chega em casa e já preparada. Basta ligar para um restaurante. O Brasil tem se desenvolvido, mas em uma velocidade inferior ao seu potencial. As melhoras ocorrem graças a pessoas que insistem em investir seu tempo e dinheiro por acreditar que o conhecimento e o estudo são base de um país desenvolvido. Infelizmente, se existissem no país dois partidos políticos, o partido do extrativismo estaria na frente das pesquisas em relação ao partido do desenvolvimento. É trabalhoso se desenvolver. Não basta ensinar a pescar, é muito pouco. É preciso saber o que, onde e como pescar. Isso exige pesquisas, conhecimento, monitoramentos e trabalho. Exige uma postura de melhorar a qualidade e de pensar no futuro. Poderíamos estar em outro patamar se o ranço da cultura extrativista fosse menos influente. Desde pequeno escutamos de diversas pessoas, em várias situações, que neste país “em se plantando tudo dá”, “vamos aguardar que as coisas acontecerão” e “ você verá que tudo vai dar certo”. O Brasil é um imenso país de contrastes. Fazemos parte do seleto grupo da indústria da aviação, mas existem pessoas com fome e vivendo em favelas miseráveis. Mal comparando, é como estarmos com a cabeça no forno e os pés no congelador. Teoricamente, a temperatura média seria suportável. É necessário somente um pouco mais para atingirmos o estágio de um melhor desenvolvimento, um ingrediente sem custo financeiro, uma atitude permanente da população, um chamado conjunto dos líderes da iniciativa privada e governamental: a valorização dos professores. E se houver um investimento permanente na profissão deles, poderemos atingir em pouco tempo um estágio de desenvolvimento invejável. Substituiríamos com orgulho a expressão usual “vai dar certo” para “deu certo”. *Marcos Anselmo Ferreira Franco. Escritor, administrador de empresas, membro da Academia Santista de Letras