(Marcelo Camargo/Agência Brasil) Vou direto ao ponto para economizar o seu tempo: Geraldo Alckmin para presidente em 2026! E para muitos isso é um susto, pois quem me conhece sabe que tenho posições facilmente rotuladas como à esquerda, que votei e voto no Lula e respeito as pautas identitárias. Ou seja, o pacote completo para um certo público já me chamar de socialista de iPhone. Mas quem me conhece mesmo também sabe que busco, sempre, o equilíbrio e o respeito. Dois valores hoje tão em falta. Não preciso ir longe para demonstrar o quanto o mundo está intolerante e polarizado. Perdemos a capacidade do convívio civilizado. E não penso que as últimas eleições americanas e a geopolítica global estejam contribuindo muito para reverter isso. Sendo o Brasil um país estratégico para o mundo, seria péssimo voltarmos a ter o que vivemos em anos recentes no governo (sic) que antecede ao atual. Seríamos mais um país a esbravejar salivante contra as minorias e pelo autoritarismo travestido de “liberdade individual” (sempre sem a responsabilidade pelos atos que deveria acompanhar o “posso fazer tudo”...). E não vejo quadros no campo político da direita que pudessem governar livres desses compromissos mais radicais. A violência da PM paulista que o diga. Da mesma forma, na esquerda não temos quadros prontos. Alguns jovens, como João Campos e Tabata Amaral são promissores (em que pese muitos ditos progressistas torcerem o nariz para ela). Outros, como meu amigo Alexandre Padilha, não conseguem nesse momento superar o calor eleitoral polarizado. E o grande Fernando Haddad, o mais bem preparado e melhor quadro, não tem apoio, capilaridade e carisma para superar as maledicências a ele atribuídas. Restam Lula e Alckmin. Lula tem um papel histórico. Em minha opinião é a maior liderança política e o melhor presidente que já tivemos (e respeito, compreendo e não quero mal a quem discordar). Porém, a idade pesou, fato. E perdeu um pouco da sua veia política tão única, convenhamos. Seu antecessor, dada a sua incompetência, terceirizou a gestão ao Legislativo, cujos interesses não são o Estado e, sim, paroquiais, para não dizer, escusos. Lula, então, por maior que seja em sua arte política, perdeu terreno precioso. E há uma evidente fadiga de material. Quem, dessa forma, poderia se contrapor ao retrocesso com viés autoritário e conquistar os votos que não iriam para Lula mas tampouco para essa direita retrógrada e tão abjeta (ou iriam por desalento)? Geraldo Alckmin! Uma vida em que demonstrou equilíbrio e lealdade. Duas virtudes essenciais. Além disso, tem compromisso público com a democracia e com as questões sociais tão caras a um país ainda em desenvolvimento, embora a cada dia melhor. Penso que seria fazer justiça histórica passar o bastão ao Alckmin e que, a partir dele, as novas lideranças já postas, ou ainda desconhecidas, mas que tenham esse condão do respeito e equilíbrio, possam florescer. Estamos cansados e o mundo precisa de um Brasil líder, pacificado e com uma agenda de desenvolvimento sustentável real. *Evaldo Stanislau. Médico e professor universitário