Espero que a gente possa aproveitar o próximo ano para olhar mais pra dentro, se curar (Divulgação) Dezembro chegou, de novo. E parece que chegou mais rápido, mais um ano voou. Ao longo dos últimos anos, percebo que, nesta época, as casas estão menos enfeitadas. Sinto que estamos perdendo a essência, e isso nem é só sobre o Natal. Às vezes me pergunto se tenho essa impressão porque parece que o tempo, realmente, está passando mais depressa. Por outro lado, também penso: ele está mais depressa ou sou eu que sempre acho que tenho que ocupá-lo (ou preciso) e, com isso, atropelo as horas, tentando dar conta de tudo? Nessa locomotiva que é a vida, um trem-bala, quando foi a última vez que você olhou para fora, deu uma espiada pela janela? Quando a gente não aprecia a viagem, tende sempre a pensar só no destino final, sem perceber que, quase sempre, é ao longo do caminho que formamos as lembranças mais marcantes e vemos as vistas mais bonitas. Por exemplo, o jornal A Tribuna, em 130 anos, cobriu diversos fatos marcantes, registrou a história em suas páginas, com centenas de edições sobre acontecimentos significativos, como guerras, crises ou tragédias. Mas o que realmente moldou o jornal e o tornou o que ele é são as outras milhares de edições mostrando o cotidiano, o crescimento da nossa região. Assim como no jornal, na nossa vida, têm dias que vão ser ‘o dia’, ‘a pauta’, intensos, significativos. E vão ter outros que serão só mais um dia. Mas, no fim das contas, todos são importantes para construir quem somos, a nossa essência. E, quando a gente vive só na busca do dia perfeito, da coisa bombástica, perdemos a nossa essência, que, às vezes, só precisa de simplicidade, como apreciar o pôr do sol de um dia bonito. Aprendi com uma pessoa muito legal que a cura vem de dentro. Espero que a gente possa aproveitar o próximo ano para olhar mais pra dentro, se curar. Curar dessa eterna ânsia por ter e do tédio de possuir, do que aflige a gente, nos faz pensar no passado ou no futuro, em vez de viver o presente. Que possamos nos permitir a renovação, assim como a que está acontecendo com o jornal <FI5>A Tribuna</FI> hoje, mudando, inovando seu formato depois de tantos anos da mesma forma. E que essas mudanças possam resgatar a essência que nos torna únicos. No fim, tudo que vai nos restar é quem fomos e tudo aquilo que nos permitimos ser ao longo do caminho. Para finalizar, tem um questionamento que eu gosto muito e acredito que todo mundo deveria se fazer em algum momento: você prefere viver como se não fosse morrer ou morrer como se não tivesse vivido? *Victor Godoy é produtor de conteúdo e estudante universitário.