O Centro de Santos revela seus sons, agradáveis de ouvir. São todos meus conhecidos, a embalar continuamente o meu dia. Não saberia trabalhar se não ouvisse os apitos das locomotivas e o constante movimento da cidade, já bem acordada (Carlos Nogueira/ AT) A cidade acorda cedo. O cais acentua-se com os seus sons peculiares. Aquele soninho gostoso da manhã me apanha e convida à preguiça. Os compromissos chamam. Levanto num salto e me preparo para a lida, abraçando-a sem rodeios. Saio de casa e vou rápido apanhar o ônibus que me serve, sempre. O motorista, já meu conhecido, deseja um bom dia, ao qual retribuo. Observo as expressões dos companheiros da breve viagem, todos, como eu, calados, talvez também desejando estar em casa para aproveitar melhor a manhã, embaixo das cobertas, nesses dias frios. Desço do ônibus e caminho para o meu local de trabalho. Algumas vezes encontro um conhecido e o cumprimento com um sorriso ligeiro. Lembro a canção: “Me perdoe a pressa, é alma dos nossos negócios...” Entro no prédio comercial, cumprimento o porteiro e dirijo-me ao elevador, que conduz ao andar do escritório onde trabalho. Lá, já aguardam inúmeros papéis, informações e situações a resolver. Conecto o computador e, assim, passo a observar o que ele irá me revelar como novidades. Um dos programas de trabalho ainda não funciona. Está inativo há quase uma semana e, para trabalhar, preciso improvisar. Acostumado a esses imprevistos, guardo tudo o que faço em pen drives e, por isso, posso dar continuidade ao meu dia, quase sem problemas. O Centro de Santos revela seus sons, agradáveis de ouvir. São todos meus conhecidos, a embalar continuamente o meu dia. Não saberia trabalhar se não ouvisse os apitos das locomotivas e o constante movimento da cidade, já bem acordada. E, enquanto as horas avançam, o movimento aumenta. Na hora do almoço, vou até o correio e ao banco. Almoço rapidamente num dos vários restaurantes, todos eles frequentados por pessoas que também trabalham no Centro. Observo as expressões mais sisudas e entendo que, mesmo almoçando, não perdem seus ares de compenetrados profissionais em serviço. De repente, uma risada quebra o murmúrio das mesas. Vem de um grupo de amigos. É um som de aviso, como se aquela intervenção nos quisesse mostrar que há felicidade nos pensamentos e que todos, ali, estão satisfeitos com as suas vidas de trabalhadores, repletos de afazeres. Final do dia. Hora de retornar à casa. Ônibus lotado, trânsito lento, muitas paradas. O entra e sai das pessoas e o coletivo seguindo o seu itinerário. Depois de um tempo, finalmente desço do coletivo e caminho até o prédio onde resido. No trajeto, cumprimentos aos vizinhos já habituais e outros que há pouco vieram residir no nosso bairro. Já no prédio, troco algumas palavras mais amenas enquanto o elevador vai nos transportando aos nossos respectivos andares. Entro no meu apartamento. Hora de relaxar e compartilhar as novidades. Assim, de volta ao aconchego do lar, posso “desacelerar”, já pensando no dia seguinte, ansioso também pela chegada do final de semana que, geralmente, passa rápido. A relação familiar me faz muito bem. A rotina é quebrada quando chega o sábado e, claro, o domingo, oportunidades para melhor conviver com a família. Logo virá a nova semana e, com ela, a lida costumeira dos chamados “dias úteis”, repletos de compromissos a cumprir. E assim transcorre a vida que ponderamos ter escolhido para existir, conviver e compartilhar, sempre que as oportunidades nos possibilitem o bem viver.