(Imagem ilustrativa/Gerada por IA) Por muito tempo, a internet premiou quem falava rápido: cortes dinâmicos, frases de impacto, “3 dicas em 20 segundos” ou “aprenda isso em 15 segundos”. Esse modelo não surgiu por acaso. Ele é consequência direta da chamada economia da atenção — conceito popularizado por Herbert A. Simon, que já nos anos 1970 alertava que uma riqueza de informação gera pobreza de atenção. Com o avanço das redes sociais — especialmente o TikTok — a disputa deixou de ser por conteúdo e passou a ser por segundos. O algoritmo passou a recompensar retenção imediata, estímulo constante e rolagem infinita. Isso moldou o formato. Mas algo mudou. Hoje, o problema já não é apenas atenção — é confiança. A geração que cresceu consumindo conteúdo rápido amadureceu. Já comprou cursos que não entregaram, já seguiu especialistas que desapareceram e já viu promessas simplificadas demais. Surge então a fadiga de persuasão: o público desenvolve resistência a gatilhos mentais óbvios e fórmulas repetidas. A pergunta deixou de ser “isso é interessante?” e passou a ser “isso é confiável?”. Confiança exige coerência, profundidade e capacidade de explicar causas, não apenas efeitos — algo que dificilmente cabe em 15 segundos. Ao mesmo tempo, a inteligência artificial democratizou o acesso à informação e tornou mais evidente a diferença entre quem apenas reproduz conteúdo e quem realmente compreende o que está dizendo. A distinção aparece na capacidade de conectar conceitos, responder perguntas fora do script e sustentar argumentos com segurança. Quando essa base não existe, surge a superficialidade — e hoje ela é rapidamente percebida. Esse cenário dialoga com a tese de Cory Doctorow no livro Enshitification: Why Everything Suddenly Got Worse and What to Do About It, que descreve como plataformas digitais, após crescerem, passam a priorizar a extração de valor — de usuários e anunciantes — até degradar a própria experiência. O excesso de anúncios, a padronização do conteúdo e a busca constante por performance criaram um ambiente saturado. As redes vivem de publicidade, mas publicidade em excesso reduz permanência. E menos permanência compromete a própria monetização. Diante dessa saturação, cresce a busca por espaços menores e mais confiáveis: comunidades fechadas, grupos privados, ambientes de pertencimento. A lógica deixa de ser alcance massivo e passa a ser vínculo. Não se trata de abandonar vídeos curtos, mas de reconhecer que formato não substitui densidade. Um vídeo de dois minutos com raciocínio consistente vale mais do que dez com frases prontas. O consumidor está mais crítico, menos impressionável e mais seletivo. Alcance continua importante, mas não sustenta reputação. Autoridade sustenta. E autoridade nasce quando há domínio real do assunto, capacidade de aprofundar e disposição para ir além da fórmula. Na nova fase da internet, performance chama atenção. Consistência constrói confiança. *Maria Eduarda Lemos. Formada em Marketing, empresária e coordenadora de mídias do BNI Target Santos