A partir do ano letivo de 2025, uso de aparelhos celulares e dispositivos eletrônicos portáteis fica proibido em escolas de ensino básico de todo o Brasil (Tânia Rêgo/Agência Brasil) A tecnologia está cada vez mais presente na nossa vida e no nosso dia a dia. Nela, os aplicativos de jogos se destacam, atraindo todas as idades. Se por um lado eles proporcionam diversão e momentos de distração, por outro eles podem cruzar uma linha tênue e se tornar um vício, com consequências preocupantes. A questão que frequentemente surge é: quando a diversão deixa de ser saudável e se torna prejudicial? Tenho atendido com mais frequência casos de jogadores e familiares preocupados com a perda de controle, que buscam ajuda para lutar contra a dependência dos games e dos aplicativos. De acordo com a ciência, o vício é uma compulsão que prejudica a rotina e o bem-estar do indivíduo. Quando falamos de jogos, ele está associado à busca incessante por recompensas rápidas e constantes, que ativam o sistema de recompensa do cérebro. Essa ativação libera dopamina, o neurotransmissor do prazer e da alegria, levando o jogador a desejar repetir a experiência continuamente. Com o tempo, o cérebro começa a exigir estímulos cada vez maiores para sentir o mesmo nível de prazer. É aí que a diversão se transforma em uma armadilha e o jogador pode perder a noção do tempo, negligenciar tarefas importantes ou até comprometer relações pessoais. Para identificar se há um problema, é necessário estar atento a alguns sinais de alerta, como perda de controle, onde existe uma dificuldade em parar de jogar, mesmo quando há outras prioridades; isolamento social, que é quando a pessoa começa a evitar interações com amigos e familiares para permanecer conectado aos jogos; e comprometimento da rotina, quando começam a acontecer atrasos ou ausência no trabalho, na escola ou em atividades importantes. Também é importante perceber se a pessoa demonstra alterações emocionais, com irritação, ansiedade ou depressão quando não está jogando, além de ter o desempenho prejudicado, com queda na produtividade ou rendimento escolar devido ao uso excessivo de jogos. Reconhecer que precisa de ajuda é o primeiro passo. Buscar apoio de um profissional qualificado é essencial para retomar o equilíbrio. Indico que procure por ajuda de psicólogos, que auxiliam a identificar e tratar padrões comportamentais associados ao vício. Já os psiquiatras, em casos mais graves, podem avaliar a necessidade de intervenções medicamentosas. Os grupos de apoio oferecem suporte coletivo. É importante lembrar que aplicativos e jogos não são inimigos, mas o uso precisa ser consciente. A linha entre diversão e vício é tênue. Reflita, observe e busque o equilíbrio. Afinal, a tecnologia foi feita para servir ao ser humano, e não o contrário. *Alessandra Augusto. Psicóloga, palestrante, pós-graduada em Terapia Cognitiva Comportamental e Neuropsicopedagogia