[[legacy_image_265355]] Acordei ouvindo Elis e a canção dos irmãos Márcio e Telo Borges: “Vento de maio, rainha de raio, estrela cadente...”. Com exceção dos grandes vendavais, os ventos de menor intensidade raramente têm nomes. Resolvi, no entanto, batizar os ventos de maio, atribuindo a eles o nome da deusa grega Maya, mãe de Hermes. Lograria também chama-los de Bona Dea (deusa da fertilidade). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ambos os nomes poderiam ter derivado a denominação atribuída ao mês de Maio. E esses ventos do mês sopram, acalmam e voltam a soprar, pretendendo ser ferozes, sem ser, no entanto. Não lembro ser comum a presença de ventos em maio. Disseram-me que uma frente fria, se viesse do sul do país, produziria esse fenômeno, que evidenciaria a presença de períodos menos quentes. Em maio, percebemos ventos calmos que mexem e desalinham os cabelos e refrescam a temperatura. Antigos afirmavam que o mês de maio, assim como abril, também se constitui em um período relacionado à fertilidade. Era costume plantar nesse mês um “Mayo”, ou “Árvore de Maio”, enaltecendo a fertilidade. No Condado de Nice, situada na parte sul oriental da França, fronteira com a Itália, era habitual que moças e rapazes dançassem ao redor das árvores de Mayo, em honra ao mês, ao som de músicas executadas pelo pífano e pelo tambor. Os dias de maio costumam ser agradáveis, caracterizando muito bem o outono, com períodos mais amenos, bons para saudáveis caminhadas que propiciam o encontro do homem com a natureza. Observam-se muitas árvores floridas e coloridas, jardins repletos de flores e plantas que parecem ficar mais viçosas nesse mês. Quando era criança, lembro que se escolhia o final de maio, normalmente no período da lua nova, para podar as plantas e prepará-las para o inverno e, ao mesmo tempo, preservá-las e fortalecê-las para que pudessem estar mais vigorosas na primavera. Os católicos atribuem o mês de maio à Maria, mãe de Jesus Cristo. É o mês ainda preferido pelas noivas, ocorrendo muitos casamentos, embora em menor quantidade do que em épocas remotas. As tradições já nos dão sinais de esquecimento. O trabalhador foi homenageado no primeiro dia de maio. Nesse mês também ocorrem comemorações em homenagem às mães, à família e à adoção, situações vinculadas à aproximação dos seres, à afetuosidade, à preocupação com as pessoas. No dia 13 de maio, uma mulher, a Princesa Isabel, assinou a libertação dos escravos, uma tentativa à equiparar pessoas para que a desigualdade e o domínio do homem pelo próprio homem não fosse mais acolhido, intenção bonita na teoria, mas ainda difícil na prática diária. O sol também é lembrado em maio, no terceiro dia do mês, o “Dia do Sol”, astro da vida que beneficia o nosso sistema. As comunicações também são rememoradas no quinto dia do mês, com seu constante aprimoramento, aproximando as pessoas, mas dando ênfase aos contatos mais virtuais, distanciando os abraços e o “olhar nos olhos”. Os dias mais cinzentos, característicos de maio, são calmos, reflexivos, amenos, nos remetendo à necessidade de colocarmos em prática o bem querer, a afetuosidade, o aconchego, o exercitar da cidadania, a maior e melhor prática da cortesia, possibilitando a feliz convivência, tão necessária nesses nossos dias ainda tão imprecisos.