[[legacy_image_299617]] A Tribuna noticiou, no último dia 15, que quatro cidades da Baixada Santista tiveram altas de até 53,6% nos casos de dengue este ano, em comparação a 2022. Em Guarujá e Bertioga, o total de casos até setembro de 2023 já supera o acumulado de todo o ano passado. Com o aumento da presença de larvas do Aedes aegypti na região, a população fica vulnerável não só à dengue, mas também à zika e à chikungunya, todas transmitidas pelo mosquito. Fui secretário de Saúde de Guarujá na epidemia de dengue de 2010, decretada pela ex-prefeita Maria Antonieta. Em abril daquele ano, com 962 casos e sete mortes, representávamos 12,7% de todos os casos do Estado quando foi decretada epidemia no Município, atitude seguida pelas demais cidades da região. Na época, inúmeras providências foram tomadas, dentre elas criação do Hospital de Campanha, realização de exames rápidos, contratação de profissionais da Saúde, compra de materiais de prevenção e assistência etc. Em 2022, foram notificados 1.450.270 casos de dengue no Brasil, mais que o dobro dos contabilizados em 2021 (544.000). Também no ano passado, houve 1.016 óbitos provocados pela doença, bem mais que em 2021 (244). Nada pode expressar a tristeza da perda de pessoas por uma doença transmitida por mosquito que pode ser evitada com prevenção e tratamento precoce, por meio de hidratação. Contudo, não tínhamos vacinas para reforçar o combate à dengue. A conscientização e a proatividade da população no combate ao mosquito são primordiais para a prevenção da doença e diminuição dos casos. Deve-se evitar acúmulo de materiais inservíveis; não deixar água parada nos vasos, lajes, calhas; verificar caixas d’água e pneus, dentre outras ações. A imprensa é essencial na divulgação da informação e da prevenção. Já os agentes de controle de endemias são importantes para orientar e fiscalizar se as medidas de prevenção são efetivamente aplicadas. Os profissionais da região estão entre os melhores do Brasil, pois possuem grande experiência, adquirida em anos de atuação no combate à doença. Atualmente, contamos com um importante ajuda no combate à dengue: a vacina Qdenga. Ela é tetravalente (age contra 4 tipos de vírus), deve ser aplicada em duas doses, com um intervalo de três meses, e é indicada a pessoas entre 4 e 60 anos. Após 30 dias da aplicação da segunda dose, a vacina tem eficácia geral de 80,2%, chegando a 90,4% em casos mais graves, que levam à hospitalização. Após quatro anos e meio, a eficácia diminui para 61,2% e 84,1%, respectivamente. A vacina é contraindicada para indivíduos com imunodeficiência congênita ou adquirida, pessoas submetidas a terapias imunossupressoras, gestantes e mulheres que estejam amamentando. Até o momento, não existe tratamento específico para dengue, o importante é a vacinação, o tratamento precoce com hidratação e outros cuidados mais específicos para pacientes que evoluem para gravidade e hospitalização. Parece não haver previsão para que a única vacina aprovada pela Anvisa seja disponibilizada no SUS de imediato, estando, infelizmente, restrita ao serviço privado. Ao meu ver, isto é um erro, pois ela seria de grande importância nas regiões de alto risco de epidemia. A outra vacina, desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantã, poderá ser liberada em meados de 2024 ou início de 2025. No momento, para prezarmos pelo interesse público, entendo que seria coerente iniciarmos a vacinação nas áreas críticas e pessoas com maiores riscos, poupando e diminuindo o adoecimento e a evolução para casos de maior gravidade e de hospitalização.