(Alexsander Ferraz/AT) A logística de acesso ao Porto de Santos chegou a um ponto crítico. O estrangulamento das vias tem causado atrasos inaceitáveis, com navios aguardando dias para carregar e descarregar, gerando prejuízos ao setor produtivo e exportador. Grandes transportadores marítimos indicam que, especialmente em 2024, cresceu a necessidade de navios extras para mitigar o problema, refletindo a insuficiência da infraestrutura portuária. Recentemente, discussões em câmaras setoriais da Associação Comercial de Santos (ACS) evidenciaram a gravidade da situação. O gargalo logístico compromete a competitividade do maior porto da América Latina, que perde cargas para alternativas mais eficientes em outros estados. A crise não é nova. Nos anos 1950, a industrialização de São Paulo exigiu a construção da Rodovia Anchieta, uma decisão visionária do governador Ademar de Barros. Mas os tempos mudaram, e o volume de cargas de 2025 supera a capacidade da infraestrutura existente. Uma solução urgente se faz necessária. O governo estadual propôs uma terceira pista na Rodovia dos Imigrantes, mas a medida é paliativa e cara, exigindo túneis e viadutos em um trecho congestionado. A ACS também defende a construção de uma nova rodovia exclusiva para cargas, margeando a Serra do Mar desde Cubatão e ligando-se ao Rodoanel para as regiões de Cotia ou Mogi das Cruzes. Isso separaria o tráfego de caminhões do fluxo urbano e turístico, desafogando as rodovias existentes. Essa via é um investimento estratégico e viável. Diferente da terceira pista da Imigrantes, a nova rodovia não exigiria túneis complexos e teria custo menor, dada a topografia favorável. Além disso, permitiria a expansão do porto, mantendo Santos como principal porta de entrada e saída do comércio exterior. O impacto positivo vai além do setor portuário. A nova rodovia facilitaria o escoamento de grãos, beneficiando produtores e exportadores, e reduziria o tráfego nas rodovias, impulsionando o turismo. Diante da urgência, apelamos ao Governo do Estado para priorizar esse projeto. Recursos podem ser captados junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), já que infraestrutura logística é essencial à economia nacional. O Porto de Santos não pode parar. O Brasil não pode perder competitividade por falta de planejamento. Como representante da ACS, reforço a necessidade de um esforço conjunto para tirar essa nova rodovia do papel. A história mostra que decisões visionárias, como a construção da Anchieta, foram fundamentais para o progresso. Agora, cabe a nós garantir o futuro da infraestrutura portuária. *Luiz Roberto Colombo Barboza. Professor emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Academia Nacional de Medicina e presidente do Hospital Oftalmológico Visão Laser