(Alexsander Ferraz/AT) A imaginação voa solta. Olhando com mais atenção para a minha própria cidade vejo-me possuído pela visão de um turista. O movimento frenético das ruas e a paisagem dão-me a proposital impressão de um ambiente desconhecido, assim como eu almejava. Na entrada da cidade, o ruído do trânsito e o acolhimento oferecido pelos prédios baixos e antigos, contrastando com novos edifícios que emergem e são bem recebidos pelo velho centro, são marcas dos tempos atuais. Meu apreender de suposto visitante deslumbra-se com as construções mais austeras de fachadas repletas de detalhes, a identificar as várias fases do crescimento de uma cidade antiga, descortinada a partir do seu primeiro núcleo de povoamento, que foi se espalhando pelo seu sítio plano. No lagamar do estuário, adiante do tranquilo braço de mar, está a imponente serra, conhecida “muralha” entre o litoral e o planalto, quase a impedir quem a queira transpor, difícil em outros tempos, hoje já tão fácil. O meu olhar encontra o porto, marca dessa cidade que, por causa dele, é internacionalmente conhecida. Os sons típicos da atividade portuária certamente embalam o sono e as lidas dos santistas ao longo dos anos. Os grandes logradouros, ligando os bairros mais antigos à praia, dão a certeza de que a expressiva quantidade de migrantes que aqui vieram residir e constituir suas famílias, foram deixando nelas as suas marcas, contribuindo para o crescimento dessa bela “Terra de Braz Cubas”, codinome associado ao seu fundador. Os morros, bastante habitados, definem outros limites ao fácil caminhar, mas não impedem as relações, pois também estão integrados ao conjunto urbano do município. Os canais, obra de primorosa arquitetura, ainda preservados, acomodam-se em diversas avenidas, embelezando-as e deixando transparecer a necessidade deles para o adequado escoamento das águas pluviais dessa urbe de planície. A orla da praia, um fascínio aos olhos do turista. De um lado o imenso e belo jardim e, do outro, uma grande fileira de edifícios. As caminhadas rotineiras dos santistas pela areia da praia, um convite ao exercício e ao relaxamento, podem também convidar os turistas a essa mesma prática saudável. Abrigando quantidade expressiva de moradores, a zona noroeste revela-se como uma nova face de Santos, hoje mais desenvolvida e há muito já integrada ao conjunto da cidade. Quando vem a noite, Santos se transforma. As luzes, os letreiros luminosos e o contínuo movimento da “polis” que quase não dorme, devem surpreender os olhares curiosos dos que a visitam. Vendo Santos com o olhar de “turista”, imagino o fascínio que esse sítio urbano deve causar aos que o vêm conhecer, o ir e vir curioso daqueles que pretendem melhor apreciar e levar boas recordações para retornar e sempre reverenciar a cidade, plena de lugares a desvendar. *Maurilio Tadeu de Campos. Mestre em Educação, pesquisador, escritor, presidente da Contemporânea - Projetos Culturais e membro da Academia Santista de Letras