(FreePik) Os cuidados com a saúde mental e emocional da população e a prevenção de doenças do estresse, como ansiedade, depressão e pânico, são preocupações para todos os meses do ano. Os números divulgados no Journal of Adolescent Health, estudo conduzido pela Organização Mundial da Saúde e pela Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, revelam uma triste realidade: um em cada sete adolescentes sofre de alguma doença mental, principalmente ansiedade e depressão. Outros fatores preocupantes apontados são abuso de álcool e drogas, distúrbios alimentares, problemas de comportamento e ideação suicida. Condições sociais, econômicas, psicológicas, histórico familiar, e eventos estressores recorrentes podem levar a uma maior vulnerabilidade para os transtornos mentais. Esses temas incomodam, mas é preciso falar sobre eles, prevenir, cuidar e oferecer perspectivas de vida. Famílias, escolas, comunidade e instituições devem estar envolvidas, com orientações de especialistas, rodas de conversas, projetos sociais, culturais, esportivos, comunitários. Vínculos sociais fortes são fator de proteção importante, mesmo em situações de extremo sofrimento. Precisamos mostrar que há razões para viver e que buscar ajuda é sinal de força e não de fraqueza. Importante ter perspectivas, desenvolver habilidades para lidar com as frustrações inerentes à vida, ter momentos que tragam satisfação, cuidar da saúde em geral e buscar ajuda terapêutica quando não conseguir lidar com qualquer sofrimento, inclusive o emocional. Frequentemente me perguntam sobre as reflexões do livro Caminho Para Ver Estrelas, publicado em 2019, que abordou, entre outros temas, a saúde mental de jovens, além de acontecimentos atuais, como epidemias, conflitos armados, alimentados por governos e a indústria bélica, crises climáticas extremas (o ano de 2024 entrou para a história como o mais quente desde o início das medições em 1961 e o impacto dessas mudanças afetam diversas áreas). Ano após ano, o planeta vem batendo recordes de altas temperaturas, particularmente perigosas em áreas urbanas, onde a concentração de edifícios, concreto e asfalto retém mais calor, elevando ainda mais os termômetros. As instituições de ensino, nos seus diferentes níveis de escolaridade, são importantes locais para a conscientização, pesquisa e formação das pessoas para a paz e o desenvolvimento sustentável, que devem se converter em políticas públicas. Mostrando na história cenários apocalípticos de futuro próximo, os personagens de Caminho Para Ver Estrelas ensinam que o conceito de progresso precisa incluir desenvolvimento sustentável e humano, baseado em justiça global, e não apenas na economia. Atitudes novas devem abrir perspectivas para a importância de cada um seguir em frente com esperança, em um mundo mais igualitário, saudável, pacífico, solidário e inclusivo. *Lúcia Teixeira. Escritora, presidente da Unisanta e do Semesp