[[legacy_image_265620]] É Rogério. É Sampaio. É do Brasil! É assim que me lembro dele, em 1992, em épocas de vacas magras para o esporte de alto rendimento em nosso País. Ele não sabia que era impossível, mas foi lá e fez. Naquele dia, quando ganhou a medalha de ouro do judô nas Olimpíadas de Barcelona (peso meio-leve), eu tinha apenas 14 anos de idade. O garoto que contava os quatro anos de cada ciclo para ver na TV a Copa do Mundo de futebol e os Jogos Olímpicos desabou a chorar ao ouvir o Hino Nacional e ver o Pavilhão do Brasil no lugar mais alto do pódio olímpico na Espanha. Aliás, testemunhei como a cidade espanhola foi transformada pelo evento, dando nova vida aos lixões, bairros degradados e zona portuária abandonada. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Tinha esse sonho juvenil em relação à cidade de Santos, promovendo o fim das palafitas, cortiços e áreas de risco nos morros, integrando seus moradores do mar à maré sem dívidas sociais. Por ser santista, Sampaio com a medalha de ouro no peito me fez ter essa esperança, já que outras cidades pelo mundo, do mesmo porte de Santos, conseguiram sediar uma Olimpíada. Mas, mesmo assim, eu não acreditava que tinha acontecido novamente no judô, já que Aurélio Miguel havia conquistado o ouro quatro anos antes, nos Jogos Olímpicos de Seul. Esse esporte passou a ser o xodó do Brasil. O judô sempre beliscava pódios. O futebol estava há décadas sem uma conquista mundial e Ayrton Senna era nossa referência geral no automobilismo. Sampaio no judô e a geração de ouro do técnico José Roberto Guimarães no vôlei foram as únicas medalhas douradas que tivemos na Espanha. Viraram referência para as futuras gerações de atletas e de comunicadores, como eu. Eles me influenciaram. Percentual bem alto da minha escolha em ser um jornalista profissional diplomado vem desses ídolos do esporte brasileiro. Que estes heróis sejam sempre homenageados em vida. O destino me permitiu estar perto do ídolo na última sexta-feira, durante as homenagens do Hall da Fama das Maratonas Aquáticas no Brasil. Hoje, depois de muito preparo, Sampaio é diretor-geral do Comitê Olímpico do Brasil (COB). É o gestor certo no lugar merecido, pois sabe exatamente onde o investimento financeiro, a resiliência humana, a superação física, o psicológico e a saúde mental podem construir ou destruir novos campeões mundiais. Sua humildade continua ímpar, pois mesmo ocupando um dos mais altos postos do esporte brasileiro, ele mesmo dedica parte do seu dia a responder e-mails, telefonemas e outras demandas de forma pessoal. Sampaio customiza ao máximo os recursos da entidade e exerce a gestão de crises em federações, confederações e associações esportivas dos quatro cantos do Brasil com uma liderança ímpar e pacificadora. Defendo cada vez mais perfis deste tipo no esporte, diante da capacitação, pois o conhecimento transforma e a experiência esportiva é insubstituível. Parabéns, nosso eterno meio-leve de ouro!