A noite terá a inauguração de uma exposição dedicada ao poeta santista e um sarau com a participação dos integrantes da Academia (Matheus Tagé/AT/Arquivo) Quando ela nasceu, eu contava com quatro anos de idade. Nascemos bem longe um do outro; ela, na América do Sul, no Brasil, e eu, na Europa, na península Ibérica. Confesso que, ainda que tivesse apenas oito anos de idade, vim para este País, contrariado. Hoje, agradeço por ter sido trazido à revelia; caso contrário, jamais a teria conhecido. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Muitos anos se passaram até nossos caminhos se cruzarem. Naquele momento, ambos contávamos com uma idade avançada, mas isso nunca foi um problema; ao contrário, o tempo nos amadurece e nos torna mais criativos, sapientes e capazes de melhor avaliar os eventos inesperados que a vida nos apresenta. A história aconteceu assim: Um belo dia, lá pelos idos de 2022, uma pessoa muito querida me disse que desejava me apresentar alguém por quem certamente eu iria me apaixonar. Fui informado de que ela era exigente e alguns preparativos se faziam necessários para que tudo corresse bem no encontro: ela desejava saber quem eu era e algo sobre minha história e formação. Assim, tive que colocar no papel uma breve descrição e algumas qualidades, principalmente culturais. Passado algum tempo, em uma bela manhã ensolarada, caminhava eu nas areias da praia quando o celular tocou. Ao identificar quem ligava, senti uma onda de ansiedade tomando conta de mim. Atendi e recebi a notícia: o encontro havia sido marcado. Com a data definida, fui me preparando para não desapontá-la. Foram dias de muita expectativa em que o tempo parecia não passar. Mas, o dia tão esperado chegou. Fui ao seu encontro e, feliz e ansioso, finalmente a conheci. Foi um momento especial, envolto em pura magia, repleto de tradições culturais. Ela, a Academia Santista de Letras, e sua grande família me receberam com afeto e alegria, e, desde então, muitos encontros aconteceram e muitos outros ainda estão por vir. Hoje, continuamos unidos por um terno amor que nunca terá fim. Aqui estamos, ambos septuagenários, ela com 70 anos e eu com 74. Ela, a cada dia mais bela, parece que os anos não a afetam; pelo contrário, a passagem do tempo cada vez a torna mais perfeita. O dia de seu “nascimento” 23 de junho de 1956, uma data memorável, singular, aconteceu dois dias após o solstício de inverno, o dia mais curto e a noite mais longa do ano, marco importante que simboliza o renascimento, um momento para reflexão. Parabéns à estimada Academia Santista de Letras, casa de Martins Fontes. Este aniversário foi repleto de celebrações. Pensei em desejar-lhe mais 70 anos, mas, não, desejo-lhe um existir eterno e muitos, muitos amores mais. Santiago Gonzalez Arias. Arquiteto, urbanista e membro da Academia Santista de Letras.