(FreePik) Todos nós com certeza acreditamos que um bom político é aquele que coloca o bem-estar da população em primeiro lugar, guiando suas ações e decisões com integridade e responsabilidade. Sua principal preocupação é atender às necessidades de seus governados, avaliando cuidadosamente as demandas da sociedade e trabalhando arduamente para implementar soluções eficazes e justas. A honestidade é uma característica fundamental desse líder, que deve se afastar de qualquer tipo de interesse pessoal ou de práticas que possam comprometer a ética e a moralidade de sua função. Um bom político não utiliza seu cargo para favorecer familiares ou amigos, mas, sim, para garantir que todos os cidadãos sejam tratados com equidade e respeito. Nepotismo? Aqui não, por favor! Além disso, ele se posiciona contra qualquer forma de corrupção. Subornos, propinas e outros tipos de benefícios ilícitos não têm lugar em sua trajetória, e qualquer tentativa de influenciá-lo indevidamente é imediatamente rejeitada e denunciada às autoridades competentes. Um político como descrito acima seria a sua escolha em uma eleição? Se sua resposta foi sim, lamento informar que você faz parte de uma minoria absoluta ou então que você mora em algum país escandinavo. Porque aqui, essa pessoa é tão rara quanto um unicórnio em um estacionamento de shopping center. Infelizmente, temos visto que o ‘bom político’ brasileiro, bem diferente da descrição acima, é aquele que sabe falar de forma impactante e convincente, não importando se o conteúdo é verdadeiro ou falso. O ‘bom político’ brasileiro escolhido pela maioria é aquele que sabe reconhecer oportunidades e ideias, mesmo que desenvolvidas por outros, e tem a capacidade de repassá-las como se fossem suas, e sem sequer implementá-las, consegue receber crédito por isso. No nosso País, o bom político é aquele que tem uma habilidade enorme de, quando erra, atribuir esses erros a terceiros. Faz isso com tanta convicção que convence parcelas expressivas de seus governados, que não apenas aceitam passivamente, mas também defendem e reforçam suas posições. E como corrigir essa distorção? A resposta é complicada, pois por um lado já vimos que, mesmo entre os intelectuais e os mais estudados, há quem os apoie e os defenda. Por outro lado, sem a devida colaboração da imprensa, dos formadores de opinião, ou então proibindo a liberdade de expressão, vai ser muito difícil corrigir essa distorção. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor