Em 30 de julho de 1996, o governador Mário Covas criou a Região Metropolitana da Baixada Santista (RMBS), a primeira do Brasil. A proposta era simples e ao mesmo tempo transformadora: fazer com que os nove municípios, de Bertioga a Peruíbe, deixassem de pensar apenas em seus próprios limites para construir uma região forte, integrada e capaz de enfrentar desafios comuns. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Trinta anos depois, a pergunta que fica é: cumprimos essa missão? Infelizmente, a resposta é não. É verdade que houve avanços importantes. A criação da Agência Metropolitana da Baixada Santista (Agem), do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb) e do Fundo de Desenvolvimento Metropolitano estabeleceu uma estrutura moderna de governança. Porém, ao longo dos anos, a política partidária, a disputa por protagonismo e a falta de visão regional fizeram com que muitos projetos fossem engavetados. A Baixada Santista perdeu oportunidades enquanto outras regiões avançaram. Basta olhar para a Região Metropolitana de Campinas. Com mais de 20 municípios, consolidou-se como referência em inovação, tecnologia e atração de investimentos. Nós temos o maior porto do Hemisfério Sul, um polo industrial, potencial turístico incomparável e localização estratégica. Mesmo assim, ainda não conseguimos transformar essas vantagens em desenvolvimento metropolitano permanente. A pandemia da covid-19 mostrou que isso é possível. No Condesb, os prefeitos deixaram de lado as diferenças e trabalharam unidos. A decisão de direcionar recursos do Fundo Metropolitano para o enfrentamento da pandemia demonstrou que, quando existe liderança e compromisso coletivo, quem ganha é a população. Foi, talvez, o momento de maior maturidade política da RMBS. Infelizmente, essa união não se tornou regra. Voltamos às disputas locais, enquanto temas como mobilidade, habitação, segurança, turismo, saneamento e desenvolvimento econômico continuam exigindo soluções regionais. A criação de um consórcio metropolitano já passou da hora. A discussão se arrasta há anos, mas falta coragem para tirar a proposta do papel. Uma região que movimenta a economia nacional por meio do Porto de Santos não pode continuar pensando de forma fragmentada. Os 30 anos da RMBS não devem ser apenas uma data comemorativa. Devem representar um chamado à responsabilidade. O futuro da Baixada Santista depende menos de discursos e mais de decisões. Chegou a hora de colocar os interesses da população acima das vaidades políticas. A região já provou que é forte. O que ainda falta é vontade de caminhar unida. Quando isso acontecer, a Baixada Santista deixará de ser apenas uma referência geográfica e se tornará, definitivamente, uma referência nacional em desenvolvimento, integração e qualidade de vida.