Ainda hoje, Elis é relembrada com carinho. Ninguém a substituiu na grande constelação da música brasileira (Arnaldo Giaxa/AT/Arquivo) Fui a um show de Elis Regina e, no final, pude vê-la no camarim. Estava lá, nervoso. Eram duas pessoas por vez. Cheguei perto, cumprimentei e elogiei sua performance. Ela me olhou e agradeceu. Estendi um disco dela que levara para ser autografado. Ela escreveu: “Um abraço, Elis!”. Só sairia de lá se pudesse puxar conversa. “Sou seu fã desde que a ouvi cantando Menino das Laranjas”. “Faz tempo”, disse ela, fazendo um biquinho e revirando os olhos, para logo depois dar aquele sorriso que eu já conhecia bem. “A partir daquele momento e, até hoje, a considero a maior cantora do Brasil. E sempre será assim. Tenho todos os seus discos, que não deixo de ouvir. Não perco um show seu!” Tomei a liberdade de beijar seu rosto. E ela retribuiu. Peguei o disco assinado e saí. Aquele contato com Elis significou um momento que nunca mais esquecerei. Elis Regina cantava tão bem nos seus espetáculos como nas gravações. Ao vivo, ela se revelava ainda mais perfeita, dominando as mensagens contidas em cada canção, dando a elas o seu potencial. Gravou muitos compositores. Cada canto era executado como se ela fosse a autora, pois se apropriava das criações como se fossem suas, integrando-se a elas de corpo e alma. Sempre em busca de maior perfeccionismo, alcançou períodos de interpretações extremamente técnicas e soube imprimir à sua carreira momentos vibrantes e intensos, como grande atriz do canto, sabendo combinar a emoção e o ‘savoir-faire’ de excepcional intérprete. A voz de Elis era comparada a um instrumento, extremamente afinado, dominando graves e agudos com facilidade. No auge da carreira e repleta de planos, saiu da vida, inesperadamente, aos 36 anos, em 1982. Ficamos atônitos. Não conseguimos aceitar que, de repente, o Brasil perdia a melhor intérprete da música popular brasileira de todos os tempos. Elis nasceu em 17 de março de 1945 e, neste 2025, faria 80 anos, um momento a ser bem comemorado. Lembramos seu nascimento como O Dia de Elis. Ainda podemos ver e ouvir a “pimentinha” através dos meios eletrônicos, em “desenhos de luz, agrupamentos de pontos, de partículas, processamentos de sinais, uma forma nebulosa feita de luz e sombra, uma estrela”, como bem escreveu Aldir Blanc. A canção composta por Joyce e Ana Terra, para Elis, reflete bem a singeleza e a grandiosidade da cantora: “Ah, como essa coisa é tão bonita / Ser cantora, ser artista / Isso tudo é muito bom...” Ainda hoje, Elis é relembrada com carinho. Ninguém a substituiu na grande constelação da música brasileira. Ela é a estrela do Brasil! Viva Elis! *Mestre em Educação, escritor, presidente da Contemporânea Projetos Culturais e Membro da Academia Santista de Letras