(FreePik) Assim como existe a vergonha alheia, também existe o fenômeno do orgulho alheio. Enquanto a vergonha alheia nos faz querer nos distanciar de determinada situação embaraçosa, o orgulho alheio muitas vezes nos leva a querer nos associar ao sucesso dos outros, mesmo que não tenhamos tido qualquer contribuição direta. Com frequência, vejo postagens exaltando os legados deixados “pela minha geração”. Contudo, não foi essa ou aquela geração que foi responsável direta por conquistas notáveis; o mérito pertence a indivíduos específicos. A maior parte da humanidade transmite e perpetua a cultura existente, sem contribuir para avanços na inteligência ou no conhecimento. A inteligência criadora, a centelha da inovação, manifesta-se em apenas alguns poucos. A massa, por outro lado, simplesmente se beneficia dos avanços proporcionados por esses indivíduos dotados de grande criatividade e engenhosidade. Até mesmo os macacos conseguem se adaptar a um ambiente civilizado em certa medida. Um chimpanzé pode aprender a andar de bicicleta ou a usar patins – algo que sua espécie jamais poderia conceber, compreender ou reproduzir por si só. Quantos de nós sabemos de fato como produzir luz elétrica, escrever um romance para ser lido sob essa luz ou pintar um quadro que as nossas lâmpadas iluminam? Apenas uma pequena fração da humanidade tem a capacidade criativa de desenvolver invenções ou obras artísticas. A maioria das pessoas simplesmente vive de acordo com a época em que está inserida, sem deixar grandes legados para o futuro. Não foi a geração dos Beatles que criou um novo gênero musical, mas sim os próprios Beatles. Da mesma forma, não foi a geração de Arquimedes que deixou um legado de descobertas científicas e matemáticas; foi o próprio Arquimedes. Existem, no entanto, regiões onde parece haver uma concentração maior de mentes criativas. Um exemplo notável é a Escócia. Esse pequeno país contribuiu de maneira extraordinária para o avanço da humanidade. Pensadores como Adam Smith e David Hume, inventores como James Watt (máquina a vapor), Alexander Fleming (penicilina), John Macleod (insulina), Alexander Graham Bell (telefone) e John Logie Baird (televisão). A Escócia também nos presenteou com gênios literários como sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, entre muitos outros. Ainda assim, mesmo em uma nação que produziu tantas mentes brilhantes, essas pessoas representaram uma minoria em relação ao total da população. Isso reforça a ideia de que a criatividade e a inovação, embora excepcionais, estão longe de ser comuns. Portanto, em vez de nos apropriarmos de sucessos que aconteceram ao nosso redor, como se fossem nossos, deveríamos nos concentrar em estimular a nossa própria criatividade e originalidade. Em um mundo onde a maioria apenas se adapta ao que já existe, sejamos aqueles que criam, que inovam e que deixam um legado para as gerações futuras. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor