( Divulgação/ Agência Brasil ) Quase todos os dias chego cedo para cuidar dos animais internados e iniciar as cirurgias. Sempre gostei de acordar cedo, pois acredito que os desafios diários ficam mais fáceis de serem resolvidos. Semana passada, após os trabalhos iniciais, resolvi tomar um rápido café em uma padaria nas proximidades. Uma senhora que comprava pães e se mostrou apaixonada por animais, me confidenciou que está com medo da tal varíola dos macacos, pois tem um sítio onde existem vários saguis em vida livre. Em conversa rápida a aconselhei a não se preocupar com este lindos pequenos primatas. Na universidade, muitos acadêmicos querem saber sobre essa doença de origem africana, pois já existem alguns casos diagnosticados em nosso País. A varíola dos macacos, assim como a varíola, é um membro do grupo dos ortopoxvírus. Apesar do nome, os primatas não são os reservatórios do vírus da varíola. Embora o reservatório seja desconhecido, existem pesquisas que indicam que os pequenos roedores, como esquilos que vivem nas florestas tropicais da África, são os maiores suspeitos. A doença teve origem na África e ocorre em humanos esporadicamente e em epidemias ocasionais. A doença é transmitida de animais através de secreções fisiológicas, como gotículas de saliva ou respiratórias e contato com feridas. A transmissão entre humanos ocorre principalmente por via respiratória. Os sintomas da varíola do macaco são semelhantes ao da varíola, porém as lesões cutâneas costumam ser mais freqüentes na varíola do macaco. O aumento de gânglios ocorre na maioria dos casos da varíola dos macacos e podemos ter infecções pulmonares. Febre e dores musculares também são sintomas dessa virose. A descoberta do vírus se deu por um laboratório dinamarquês, em 1958. O primeiro caso em humanos ocorreu na República Democrática do Congo, em 1970. Existem duas linhagens do vírus, o da África Ocidental e o da Bacia do Congo. A maioria dos casos evolui para a cura, A prevenção está em uso de máscaras e lavagem correta das mãos. Álcool em gel dever ser utilizado. As vacinas contra a varíola comum se mostraram eficazes contra a varíola dos macacos. *Eduardo Ribeiro Filetti. Médico veterinário, professor da Unisanta, mestre em Saúde Pública e membro da Academia Santista de Letras e Academia de Letras e Artes da Praia Grande