[[legacy_image_260193]] Se você que lê essa coluna fosse um cidadão do mundo ao redor de 1800, a sua expectativa de vida estaria ao redor de 30 anos. Nascer, crescer, fazer o que tinha que ser feito e morrer, tudo em cerca de 30 anos. É pouco. Muito pouco. Sobretudo se comparado ao momento atual em que a expectativa de vida de uma pessoa vivendo em um país desenvolvido passa, e muito, dos 80 anos. O que explica esse dramático aumento na expectativa de vida é invisível aos olhos. Literalmente, microscópico. E passa pelo controle das doenças infecciosas. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Ao longo dos séculos, morremos por doenças transmitidas por vetores, pulgas e mosquitos, como a praga, também conhecida como peste bubônica ou febre negra, que foi a mais letal pandemia da humanidade, ou a malária, que continua a ceifar vidas no mundo tropical. Morremos por doenças decorrentes da falta de saneamento, como a cólera e a febre tifoide e, morremos por doenças de transmissão inter-humana, como a varíola, tuberculose, sarampo, difteria, escarlatina e tuberculose, essa ainda um flagelo. Abro aqui um parênteses. Certamente, ao ler vários desses nomes, veio à sua mente “poxa eu tomei essas vacinas...”. Bingo! E aí começa a primeira explicação para essa importante virada na expectativa de vida: vacinação. Que começou há mais de 200 anos com a vacina contra a varíola e não parou mais, ao contrário, o desenvolvimento vacinal segue firme e a mais recente novidade é a vacina contra o vírus sincicial respiratório que tanto mal causa às nossas crianças. Temos ainda o avanço no desenvolvimento sanitário controlando as doenças de veiculação hídrica, embora os canais de Santos, indevidamente invadidos por esgoto clandestino, e a falta de saneamento em muitas localidades demonstrem o quão frágil pode ser essa vitória. Saneamento é obra que não se vê, mas que segue basilar para a nossa vida cotidiana e segura. Por fim, temos o avanço da Medicina com exames diagnósticos, técnicas de isolamento e, sobretudo, as terapias anti-infecciosas que atuam em bactérias, fungos e vírus. Entretanto, o mundo segue um lugar perigoso. Desigual em oportunidades, iniquidade no acesso aos tratamentos e itens de conforto e segurança para viver, de comportamentos que nos tornam mais vulneráveis e, agora, do aquecimento global. Isso traz à tona doenças infecciosas emergentes, reemergentes e o perigo da resistência dos micro-organismos a muitos dos medicamentos que temos para enfrentá-los, em especial os antibióticos, tão ampla e vulgarmente utilizados. Infelizmente as doenças infecciosas, por tudo isso, continuam as protagonistas de nossas vidas, individual ou coletivamente, e se nada fizermos para reverter esse cenário poderão rapidamente galgar postos e novamente ser a principal causa de morte, mesmo nos países ditos desenvolvidos. Bem, e somos nós, os infectologistas, os maestros da luta na defesa da vida contra essas ameaças. Junto a outros profissionais de saúde atuamos na educação para prevenção, estruturamos as respostas contra os agravos infecciosos e fazemos a vigilância para evitar os novos (ou velhos) problemas. Por isso o Dia do Infectologista, muito mais que uma celebração, é uma renovação do nosso compromisso, que deve ser o seu também, de preservar as nossas vitórias e evitar novos perigos. Aos colegas infectologistas, meus parabéns e, em nosso nome, a você, nossos agradecimentos pela confiança e reconhecimento. Viva a vida!