(Divulgação) Raquel veio de Mato Grosso, filha de fazendeiro. Lauro chegou do Rio Grande do Sul, filho de produtor de vinho. Ela, descendente de judeus. Ele, de portugueses. Cruzaram-se pela primeira vez no campus da UnB. O olhar que trocaram foi tão fulminante e amoroso que é como se tivessem dito, ao mesmo tempo: quero casar com você. Até por isso, não se perderam mais de vista. Apaixonaram-se. Também gostaram muito de Brasília, onde pretendiam viver uma lua-de-mel vitalícia. Esse último desejo do casal enfrentava um obstáculo intransponível. Francisco, pai de Lauro, não abria mão de um preceito que julgava quase sagrado. Seu filho único herdaria seus princípios e também a empresa que construíra com tanto sacrifício. “Arrume outra moça, que concorde em morar aqui no Sul”. Lauro reagiu. Disse que não renunciaria ao romance com sua amada. E que o plano definitivo dos dois seria morar para sempre em Brasília. Alertado pelas artimanhas do filho, Francisco contratou um detetive para seguir os passos dele no Planalto Central. Mesmo sem autorização paterna, Lauro resolveu casar. Quando a noiva, conduzida por seu pai, aproximava-se do altar, Francisco, possesso, invadiu o templo e arrancou o filho da cerimônia. Com o apoio do detetive, seguiram rumo a Caxias do Sul. Intimidado pela violência do pai e pelos apelos carinhosos da mãe, Lauro resolveu romper a tentativa de casamento. Raquel chorou muito, inconsolável, surpresa com a covardia do homem amado e o desabamento de seu sonho. Vinte anos se passaram. O casal nunca mais se viu nem se comunicou. Mas o destino estava arquitetando uma armadilha. Lauro e Raquel dessa vez se cruzaram no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Uma amiga que a acompanhava não escondeu o espanto. “O que está acontecendo com você? Ficou completamente lívida. E já está começando a chorar”. Raquel explicou. “Sabe aquele cara que passou aqui ao nosso lado e nem me cumprimentou? É o Lauro!” O ex-namorado descobriu o telefone dela. Passaram a se comunicar regularmente. E decidiram retomar o romance do ponto em que tinham parado. Raquel continuava solteira. Mas Lauro tinha três filhos e uma esposa com câncer terminal. O novo namoro começava a avançar. Mas namorar outra mulher com a esposa quase à morte, o abalou muito. Lauro apareceu um dia com o olhar profundamente tristonho. E, aos prantos, confessou à namorada. “Meu amor, eu não consigo de jeito nenhum continuar. Passaria o resto da vida me considerando um traidor. E arruinado por uma culpa que nunca teria fim”. *Carlos Conde. Jornalista