[[legacy_image_316897]] Qualquer doente, não importa a moléstia, torna-se frágil a partir de seu emocional. Em situação de vulnerabilidade econômica, o abalo é maior e atinge, inevitavelmente, sua família. Entenda-se bem: não falamos aqui de “ter pena”, porém, agir com empatia e buscar soluções para que as fases da doença possam ser vivenciadas com dignidade. Falamos, aqui, do serviço prestado, há 25 anos, pela Associação Santa Isabel de Combate ao Câncer - ASI. Nosso trabalho voluntário começou na década de 1990, com a disposição e generosidade de Nelly Valente Cavallucci quando, já como voluntária do hospital A. C. Camargo (São Paulo), visitou o Setor de Oncologia da Santa Casa de Santos e constatou as dificuldades para concluir a casamata de sua Unidade de Radioterapia. Sensibilizada, Nelly entrou em contato com o então governador do Estado, Luiz Antônio Fleury, e solicitou a peça principal da casamata, a Bomba de Cobalto. Pedido atendido, Nelly começa o trabalho voluntariado nesse Setor, tão carente de recursos estruturais e humanos, contando apenas com quatro voluntárias, generosidade, boa vontade e nenhum recurso. Em 1997, surge oficialmente a Associação Santa Isabel de Combate ao Câncer - ASI. A cor rosa nos distinguiu na cidade. Dela, recebemos o apelido carinhoso de Rosinhas, mesmo tendo nossos bravos Cavaleiros da Rosa. Nossa instituição cresceu na mesma proporção daquelas famílias que têm um paciente oncológico, seja ele da idade que for. Crescemos em números de voluntários (hoje, a ASI conta com 56). E entendemos que precisávamos atuar de forma mais abrangente; que nossa contribuição e experiência, em tantos vieses de atendimento ao paciente oncológico e sua família, também poderiam ser úteis a Santos. A covid-19 nos fez refletir se não era o momento de nosso trabalho incluir outras doenças. Sim, nosso foco maior se concentra nos pacientes oncológicos, mas a pandemia nos mostrou que a ASI deveria se expandir. Agora, atuamos em 15 policlínicas, no Ambesp da Zona Noroeste e na Casa de Saúde. A sede administrativa também mudou, agora, no mezanino da Associação dos Diretores Lojistas, onde atendemos pacientes de todos os hospitais da Baixada, com outros tipos de doenças crônicas ou ainda com sequelas de AVC e da covid-19. Nossos serviços incluem fornecimento de cestas básicas, suplementos, alimentação enteral, fraldas, próteses externas, perucas, entre outros, além de orientação jurídica. O que continua é o nosso propósito de tornar mais digna uma situação que envolve a vida como um todo. E, na maior parte das situações, uma vida de fragilidades pessoais e sociais. Também continua nossa busca por apoiadores, patrocinadores, doadores de tempo, de amor, de ajuda de todo tipo. É isso que torna tão prazeroso nossa atividade. O voluntário vê o mundo sob uma perspectiva diferente. Vê a dor do próximo como de si mesmo, uma empatia solidária. Porque precisamos avançar sobre a dor e, infelizmente, sobre dificuldades sociais e estruturais. Avançamos como quixotes, porém, acreditando que nosso gesto pode auxiliar o paciente e suas famílias. Gestos que incluem assessoria jurídica, doações de cestas de alimentos, confecção de artigos para bazares, gestos que não são de “piedade” e, sim, de cidadania e humanidade. A todos aqueles que da ASI participaram e participam em 25 anos de atuação, nosso agradecimento, como instituição e como pessoas que contam com outras para compor uma grande corrente do bem.