(Gerada por IA) Aquele menino franzino, cabelos descoloridos, com braços e pernas repletos de cicatrizes aproximou-se do meu carro, no farol fechado. Fiquei parado, observando, enquanto ele movimentava uns bastões, tentando dominar os instrumentos, no intuito de mostrar uma arte que não aprendera na escola, mas na rua. Terminado o pequeno número, estendi a ele uma nota de R\$ 5,00. Ele sorriu, agradeceu e voltou para a calçada, pois o sinal abrira para o trânsito seguir. Eu ainda olhei para o pequeno, percebendo sua expressão alheia, sem motivação, levando nas mãos uns trocados que, certamente, seriam repassados para um adulto. Fiquei imaginando esse garoto numa casa em que o conforto estivesse presente. Certamente eu nunca mais iria reencontrar o tal menino. A sociedade tem umas diferenças que me incomodam. Eu também sou parte dela e o que, de fato, estou fazendo para melhorar tudo isso? Iniciar uma fase de responsabilidade perante um ser que vai depender de mim é um passo a tomar bastante sério. Se, um dia, decidisse adotar uma criança, trazer para a minha convivência um ser humano, precisaria estar atento, sem me ferir e, principalmente, sem ferir esse meu pequeno e desprotegido semelhante adotado. Eu gostaria de poder, nos momentos em que deparo com esses garotos nas ruas, ter condições financeiras para abrir um lar, para onde eu convidaria todos a morar, e eles pudessem iniciar uma nova vida, com aprendizado, a partir da descoberta dos valores humanos, e que esses valores fossem incorporados e absorvidos por eles de maneira prazerosa e feliz. Quem sabe assim poderíamos, de fato, fazer a nossa parte? Mas um detalhe: seria assim tão fácil adotar uma criança? Sei que não. Adotar, pois, é uma decisão complexa, sem dúvida! A adoção requer encaminhar esse pequeno e carente cidadão para uma vida que eu imagino ser mais saudável. Precisaria iniciar uma fase de responsabilidades perante um ser que vai depender de mim e que irá conviver comigo. É um passo a tomar bastante sério. Não é como pegar um animalzinho de estimação, levar ao veterinário, comprar as rações adequadas ao peso e à raça, arrumar o seu cantinho, comprar seus apetrechos para comer e beber, adquirir aquelas famigeradas roupinhas de ser humano adaptadas aos animais, com que as pessoas insistem em vesti-los, como se fossem crianças. Necessitarei aprender a me desincumbir dessa nova tarefa com bom senso, sem me ferir e, principalmente, sem ferir esse meu pequeno e ainda desprotegido ser. Com tantas responsabilidades a cumprir, percebo que as famílias estão por aí, “adotando” cães, gatos e outras espécies de animais e os incorporando às suas vidas para suprir suas carências, criando-os como pressupostos seres humanos. *Maurilio Tadeu de Campos. Mestre em Educação, escritor, presidente da Contemporânea - Projetos Culturais e membro da Academia Santista de Letras