[[legacy_image_305979]] Quando jovem, sonhava em possuir uma máquina de escrever para poder apresentar melhor os meus trabalhos na escola e escrever minhas prosas e poemas com aparência mais agradável à leitura. Custei a ter esse tão sonhado instrumento de escrita e, quando consegui, precisei escolher a mais barata, que cabia no meu orçamento. O tempo passou e eu adquiri outra, maior, com mais recursos e, assim, fui construindo meus textos. Com mais entusiasmo, passei a produzir jornais literários com trabalhos meus e dos meus amigos, contando com a ajuda de um mimeógrafo para reproduzir os periódicos. Era o máximo! Podia divulgar textos em prosa e em poesia e sofisticar os saraus literários da ocasião. O tempo passou. Comprei o meu primeiro microcomputador, bem mais sofisticado do que a máquina de escrever, que possibilitou ampliar a minha capacidade para produzir e reproduzir trabalhos com excepcional definição. A novidade trouxe a condição de melhor desempenhar as minhas atividades como profissional da educação e como escritor. Conseguia resultados bem melhores. Minha conversação com as pessoas passou a ser mais ágil. Os e-mails e as comunicações nas redes sociais permitiam rapidez nos contatos. O computador passou a estar diante de mim, a meu serviço. Um aparelho habitual, mais preciso, complexo e fascinante. A tecnologia avançou e possibilitou a todos possuir instrumentos de comunicação ainda mais sofisticados. O telefone celular, quando surgiu, era analógico, servindo apenas para comunicações telefônicas; hoje possui múltiplas funções e, uma vez habilitado em uma das operadoras de sinal, pode ser utilizado de modo a permitir aos seus usuários a comunicação instantânea; antes artigo de luxo, hoje usado por muitas pessoas desde a mais tenra idade. Crianças ainda pequenas manipulam instrumentos de comunicação com muita facilidade. Os pequenos ainda não alfabetizados apoderaram-se da tecnologia com uma precisão espantosa. É habitual encontrar várias pessoas com seus aparelhos eletrônicos num quase frisson, “antenadas com o mundo”. Porém, observo que virou insignificante a comunicação mais pessoal e, quando acontece, é quase um resvalar de instantes em que os contatos virtuais se perdem, em decorrência de supostas quedas de sinal. Voltei no tempo e percebi que, embora tivéssemos antes menos tecnologia, os contatos pessoais e calorosos nos possibilitavam a convivência mais saudável porque necessitávamos estar mais juntos para colocar em prática a real comunicação. Hoje as pessoas passaram a adotar comportamentos individualistas porque a sofisticação dos equipamentos parece querer a isso exigir. Eu diria até que os “amigos” acabam por assumir a aparência dos nossos aparelhos, excessivamente virtuais. É fácil “desligá-los” quando não estamos mais interessados neles; é só um toque ou um bloqueio e a situação fica “resolvida”. Entendo que, pelo que me parece, será difícil voltar ao tempo em que compartilhávamos mais o “olho no olho”, a “conversa ao pé do fogo” e conseguíamos ver as reações, as lágrimas saltando dos olhos e os sorrisos nos lábios, nos muitos momentos em que a emoção possibilitava a prática do verdadeiro bem querer.