(Matheus Tagé/ Arquivo AT) Santos é uma cidade linda, poesia em movimento, onde o calor da cidade, a grandiosidade do maior porto da América Latina e a imensidão do mar se encontram. No entanto, a verdadeira alma santista não está apenas na arquitetura do Centro Histórico de Santos, nos trilhos dos bondes, nas árvores centenárias, na Vila Belmiro ou nas ondas do Atlântico, mas nos olhos das criaturas que compartilham essa orla. Sob o olhar dos admiradores dos animais, Santos é um ecossistema vivo e vibrante. No mar e nos canais, as tartarugas-marinhas desfilam entre as embarcações, o boto-cinza lembra que o ecossistema marinho resiste e exige proteção. No mar, as embarcações cruzam o horizonte, ilustrando nossos finais de tarde. Na terra, nos jardins da praia, no Orquidário, no Horto Municipal e nos morros, temos inúmeras árvores. Cães e gatos caminham com as famílias, preenchendo a rotina urbana com afeto. Atender animais é mais do que exercer a profissão de médico-veterinário: é zelar pela saúde única (one health), integrando o bem-estar humano, animal e ambiental. Santos, porto e mar ganham vida quando compreendemos que o progresso econômico e o azul do oceano só fazem sentido em harmonia com a nossa fauna e flora. O santista vive o espaço urbano ao lado de seus pets, ocupando parques e calçadões. Essa proximidade reforça a importância da saúde pública veterinária em uma cidade que se preocupa com o bem-estar animal e o controle de zoonoses. Unir mar, porto e vida urbana exige inteligência e equilíbrio, protegendo a própria essência de uma cidade que respira a força da natureza e a rotina do mar. *Eduardo Ribeiro Filetti. Médico veterinário, professor universitário, pós graduado em Clínica, Cirurgia e Fitoterapia Veterinária, mestre em Saúde Pública e membro das academias Santista, Vicentina e Praia Grandense de Letras