(Alexsander Ferraz/AT) Uma cidade que criou um clube que acabou extrapolando espaço, tempo e medidas. Um símbolo que contém miríades de significados. Um novelo que se desfia capitaneado pelo time, ponta de lança da paixão com estandarte fincado no relvado de tantas batalhas. Que parou guerras. Que criou universos estelares e plasmou atmosferas para incontáveis corações em muitas eras. Santos, metáfora que remete a quantas parábolas, tão eloquente ao espírito quanto o vento noroeste, a maresia. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É do mundo o Santos! Mas começa nosso e nos mundializa cidade, povo, manto estrelado, Vila. Arte nas chuteiras que inspirou arte na música, nas tintas e muito na minha praia, a literatura. Ainda lhe caberão epopeias em prosa e verso. Se escrevera por séculos sobre o Santos como se escreveu sobre os 300 de Esparta ou as legiões de César na conquista das Gálias. Entre glórias e declives, o Peixe sempre superou as melhores esperanças e as circunstanciais tormentas. Quando por aqui o Prêmio Nobel Pablo Neruda quis retratar a cidade, o café, o porto, dedicou poema que falasse sobre o distintivo que tudo abarca feito as vagas do oceano: “Santos: É no Brasil, é um barco, e é outro, mil barcos! E parecem jogos de dados de deuses os brancos edifícios! Pelé é um super-homem, Não sou um aficionado, mas na televisão eu gosto”. Para falar do Santos, ó Neruda, se pede mesmo que não seja especialista em nada porque sua marca sobrepõe uma Babel de raças, credos, gerações e memórias imorredouras. E carrego nas linhas para conter em alguns parágrafos o que exacerba dribles, jogadas, gols que não cabem nos quatro cantos visíveis dos seus feitos. Como uma catedral inacabada, o Santos vai se fazendo maior que a soma dos seus números. Com licença ao mestre Wisnik, Torero, ao colega poeta Vladir Lemos, dá-me a chance, amante da beleza, exercer meu ofício de esteta para torcer por um 2025 redentor ao alvinegro caleidoscópico, amalgama de todas as cores. Eis que uma fotobiografia surge pelo 130 anos de A Tribuna como documento simbiótico do percurso fabuloso do jornal com o Peixe neste turbilhão atlântico de júbilos. Na obra, as fotos dizem de todos os lances, dos heróis sucessivos, dos amores e das angústias suscitadas em tua torcida cósmica. E falo do Santos para falar de mim, de ti, do pai fanático, do amigo campeão de 1935 Mário Pereira, do enciclopédico Carlos Conde, teu vizinho de porta, Santos! É por eles, por nós que os sinos ainda dobram! *Flávio Viegas Amoreira. Escritor, membro das Academias de Letras de Santos e Praia Grande