[[legacy_image_261385]] Minhas pernas tremiam quando entrei no prédio da Folha de S.Paulo com a carteira de trabalho nas mãos. Meu primeiro registro como repórter, dia 16 de janeiro de 1973, com o carimbo do Grupo Folha, me garantia o trabalho no jornal Cidade de Santos, que a empresa mantinha aqui na região. Eu era um jovem de 20 anos cheio de ideais na cabeça e já atuava como estagiário no jornal desde junho de 1972, ano em que entrei na Faculdade de Comunicação, a inesquecível Facos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Mas meu primeiro texto impresso se deu antes, em maio desse ano, quando um grupo de universitários foi convidado pela diretoria do Clube Internacional de Regatas para elaborar um informativo sobre os 74 anos da agremiação, com matéria assinada. Guardo com carinho esse boletim. Ainda em 1972, perto do final do ano, novato, fui convocado pelo editor José Alberto Moraes Alves Blandy para entrevistar o governador Laudo Natel, eleito de modo indireto pelo colégio eleitoral. Ele já tinha governado São Paulo por duas vezes, uma delas como vice de Ademar de Barros, cassado pelo regime militar. Vivi essa época difícil para os jornalistas. Em outubro de 1973, participei da cobertura da inauguração do Corredor de Exportação do Porto de Santos, com a presença do presidente Emílio Garrastazu Médici, o temido general da época da intervenção militar. Em janeiro de 1974, mudei radicalmente minha vida. A convite do saudoso amigo jornalista Dirceu Fernandes Lopes assumia a editoria de Porto de A Tribuna, ganhando o dobro de salário. Eu tinha então 21 anos. Foram, aqui em A Tribuna, 27 anos atuando em praticamente todas as editorias, com centenas de matérias, em especial como editor de Porto & Mar e como repórter especial que fazia as últimas páginas do jornal aos domingos, um espaço nobre na época. Fui também por um tempo o chargista da página de Opinião. E terminei em 2001 como editor-geral da Redação. Nesse período, conquistei em equipes 12 premiações, sendo duas nacionais - ambas do cobiçado Prêmio Scania de Jornalismo. Fiz matérias que me proporcionaram alegrias e tristezas, como as da cobertura do incêndio da Vila Socó, com dezenas de mortos, e de toda a sequência entre a doença, a morte, os velórios e o enterro do presidente Tancredo Neves. Dezenas de outras com autoridades, celebridades, gente em geral. Tenho, por conta, que atuei ao lado de mais de 300 colegas de profissão, muitos dos quais, saudosos amigos, já se encontram na Redação celeste. Outros permanecem, a atestar a nossa teimosia. Investi na área de assessoria de imprensa, tendo como clientes empresas importantes da região, como a Brasil Terminal Portuário, Sopesp, T-Grão, Fundação Lusíada, Unimed, Santos Brasil, CAP, Ogmo, Construtora Phoenix, Rotary e Miramar, entre outras. Dedico-me à carreira de escritor desde 2006, quando lancei meu primeiro livro, um trabalho de 25 anos de pesquisa sobre o maior naufrágio do Brasil em todos os tempos, do navio espanhol Príncipe de Astúrias. Depois vieram mais cinco livros e trabalho para mais três, um deles o de minha história como jornalista. Nesses 50 anos, ou um pouco mais, nunca deixei de ser repórter, com a graça de Deus. Duplamente santista, nascido e torcedor, sinto como jornalista profissional “um orgulho que nem todos podem ter”, esse de participar ativamente da comunidade em que vivo e onde respiro, ainda, o mesmo ar que me inspirou o início da carreira, como se fosse hoje, o amanhã e sempre.