(FreePik) O objetivo é localizar os quilombos em Santos, articulando as informações existentes, acrescentando outras, para melhor esclarecer a sua localização espacial e determinar sua evolução e tipologia. Para tanto, foram utilizadas análises iconográficas, consultas bibliográficas, estudo “in situ”, uso de técnica topográfica. Esclareça-se que segundo as leis, desde o período colonial, quilombo era o ajuntamento de cinco ou mais escravos foragidos. Houve, pelo menos, cinco tipos de quilombos: o do Vale do Quilombo (no Engenho do Quilombo), na área continental, clandestino; o do Pai Felipe, suburbano; os urbanos no Centro da cidade, como o de Santos Garrafão, o de D. Francisca Amália de Assis Faria e outros; o do Jabaquara, no atual bairro do Jabaquara, conhecido hoje como “Jabuca” e o do sítio do Icanhema, hoje Guarujá, então pertencente a Santos. O estudo mostra uma evolução dos tipos de quilombos e sua localização no espaço santista. A primeira fase que chamamos africana, como o estabelecimento dos quilombos volantes, dado o seu caráter de clandestinidade, no Vale do Quilombo, na primeira metade do século 19 e posterior fixação dos quilombolas no abandonado engenho do Quilombo. A segunda fase corresponde à presença dos quilombos nos quintais, como o de Santos Garrafão, branco, casado com a negra Blandina, também abolicionista, etapa provisória e emergencial. A terceira é a suburbana, na qual encontramos o quilombo do Pai Felipe, no início da Av. Ana Costa. Pai Felipe tinha sido um Rei africano e negou-se a morar no Jabaquara, chefiado por Quintino de Lacerda, ex-escravo. O do Jabaquara foi o mais conhecido da Província de São Paulo, com uma população variada de 5 mil até 10 mil moradores, que além do cultivo, empregavam-se nos serviços urbanos. Só teoricamente é clandestino, pois é próximo à cidade, dela só separado pelo Morro do Fontana, alcançado por uma trilha, apoiado por brancos, negros, mulatos e grande parte da população envolvida na causa da Abolição. Estes estabelecimentos documentam a evolução dos quilombos desde o tipo clandestino, em regiões de difícil acesso, como o Vale do Quilombo, até os quilombos urbanos, como o de Santos Garrafão. A localização desses quilombos atesta, além da ocupação na Baixada Santista, a evolução tipológica desses núcleos realizadores da ideia abolicionista. Na divisa do brasão de Santos lê-se: Patriam charitatem et libertatem docui – À Pátria ensinei a caridade e a liberdade. Nada mais verdadeiro! *Wilma Therezinha Fernandes de Andrade. Mestre e doutora em História Social, historiadora e professora da Universidade Católica de Santos (UniSantos)