<p data-path-to-node="1">Em uma Operação Verão da Polícia Militar, uma equipe de Estratégia de Saúde da Família esteve no meio de um tiroteio no Mangue Seco, na Zona Noroeste de Santos. Graças a Deus, nenhum disparo atingiu a equipe multiprofissional, composta por médico, enfermeiro, técnico ou auxiliar de enfermagem, agentes comunitários de saúde, profissionais de saúde bucal e de combate a endemias.<br /> <br /> <a href="https://www.whatsapp.com/channel/0029Va9JSFuGehEFvhalgZ1n" style="color: rgb(0, 136, 204); text-decoration-line: none; font-family: "Lucida Grande", "Lucida Sans", geneva, arial, sans-serif; font-size: 12px; background-color: rgb(238, 238, 238);">Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp!</a><br style="color: rgb(0, 0, 0); font-family: "Lucida Grande", "Lucida Sans", geneva, arial, sans-serif; font-size: 12px; background-color: rgb(238, 238, 238);" /> <span style="color: rgb(0, 0, 0); font-family: "Lucida Grande", "Lucida Sans", geneva, arial, sans-serif; font-size: 12px; background-color: rgb(238, 238, 238);"> </span></p> <p data-path-to-node="2">É importante destacar uma grave desigualdade no tratamento funcional desses trabalhadores. Caso a médica, a enfermeira ou a técnica de enfermagem sofressem acidente, como a quebra de uma perna ou algo parecido, que as impedisse de realizar visitas domiciliares, seriam readaptadas para outras funções compatíveis com suas condições de saúde, preservados o vínculo e a remuneração. O mesmo, porém, não ocorreria com a agente comunitária de saúde.</p> <p data-path-to-node="3">Se um agente comunitário de saúde fosse baleado ou sofresse qualquer agravo que o impedisse de exercer sua principal atribuição, a visita domiciliar, estaria sujeito, na maioria das vezes, à aposentadoria por invalidez, geralmente limitada a um salário mínimo, ou até mesmo à demissão. Isso afronta princípios constitucionais básicos, como a dignidade da pessoa humana e a isonomia, previstos nos artigos 1º, inciso III, e 5º da Constituição Federal.</p> <p data-path-to-node="4">A própria legislação federal que rege a categoria (Lei 11.350/2006) reconhece a relevância social dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, que atuam diretamente na promoção da saúde e na prevenção de doenças, muitas vezes expostos a riscos ambientais, sociais e de violência.</p> <p data-path-to-node="5">Negar a esses profissionais a possibilidade de readaptação funcional contraria também os princípios gerais da administração pública, como a razoabilidade, a proteção ao trabalhador e a valorização do serviço público. Desde 24 de setembro de 2024, o Sindest acompanha o projeto de lei do vereador santista Adilson Júnior (PP), atual presidente do Legislativo, que possibilita a readaptação funcional dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias no âmbito municipal. No entanto, falta vontade política para que a proposta avance.</p> <p data-path-to-node="6">Enquanto isso, a agente comunitária de saúde citada no início deste artigo, embora tenha escapado ilesa da operação policial, foi posteriormente afastada por problemas de visão e acabou aposentada por invalidez permanente. Hoje, ela enfrenta sérias dificuldades financeiras para sustentar seus três filhos.</p> <p data-path-to-node="7">Diante desse cenário, conclamamos a sociedade santista a se sensibilizar com a realidade vivida por esses profissionais e a pressionar o poder público por uma mudança na legislação municipal, de modo a garantir a readaptação funcional dos agentes, assegurando justiça, proteção social e respeito a quem cuida diariamente da saúde da população.</p> <p data-path-to-node="8">Fábio Pimentel. Presidente do Sindicato dos Servidores Estatutários Públicos Municipais de Santos (Sindest), secretário-geral da Federação dos Servidores Públicos Municipais de São Paulo (Fupesp) e secretário-executivo da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB)</p> <p data-path-to-node="9">Daniel Gomes. Mestre em Ensino em Ciências da Saúde e diretor de Comunicação do Sindest</p>