(Pixabay) Talvez os vicentinos mais novos desconheçam a famosa Pedra dos Ladrões no Itararé. Já os mais antigos presenciaram esse fato, que não foi uma lenda, mas um fato notório na Célula Máter, no século passado. A ponta do morro do Itararé, na Boa Vista, onde mais se aproximava do mar, onde hoje temos a linha do VLT e da Avenida Manoel da Nóbrega, avançava sobre toda a faixa de jundu, chegando à areia da praia. Em 1905, a Câmara Municipal autorizou a empresa Carril Vicentina a instalar uma linha de bondes puxados por burros, ligando São Vicente a Santos, via praia. Para que essa linha de transporte fosse implantada, houve a necessidade de dinamitar a ponta do morro, seccionando-a, e os trilhos foram colocados atravessando as pedras de grande porte, de ambos os lados. O pequeno bonde desenvolvia, obviamente, marcha bastante lenta. Surgiram, então, os ladrões, que se escondiam entre as pedras e assaltavam os passageiros à mão armada, quando passavam por ali lentamente. Os rochedos da ponta do Morro do Itararé logo passaram a se chamar Pedra dos Ladrões, e como tal ficou conhecida por mais de 60 anos, quando as últimas rochas foram explodidas e removidas pelo prefeito Jonas Rodrigues para a construção da Avenida D. João III, em 1971. Em 1910, os bondes passaram a ser elétricos, com muito maior velocidade e segurança. Os roubos ali deixaram de existir, mas o nome ficou para a posteridade, enquanto existiam as pedras. Essa ponta foi parcialmente destruída para a passagem da linha férrea em 1910, para a construção da Avenida Manoel da Nóbrega em 1932, na década de 40 para a colocação da segunda linha de bondes e, em 1953, para a construção do Posto de Salvamento e ampliação de um parque infantil. A famosa Pedra dos Ladrões chegou a ser imponente e até atrativa, com sua beleza rústica. Sua história ficou conhecida por algumas gerações, porém os mais jovens desconhecem esse fato marcante, que muitos acreditavam ser lenda, mas foi um fato da rica história de nossa cidade, fatos esses extraídos de pesquisas no Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente (IHGSV). A pedra não existe mais, porém os ladrões, esses permanecem em toda a região, mais ousados e atuantes, infelizmente. *Mario Azevedo Alexandre. Escritor, jornalista, membro da Academia Santista de Letras, Academia Vicentina de Letras, Artes e Ofícios e IHGSV