[[legacy_image_305701]] No último dia 14, publicamos que um caminho pré-histórico, o Peabiru, atravessava a atual cidade de Santos. Peabiru vem de pea, que significa caminho. Já biru era um nome de rio perto de Cuzco, capital do Império Inca. Teria sido aberto pelos incas, construtores competentes de estradas e ligava o Império Inca desde o Pacífico, descendo os Andes, atravessando o Pantanal e o Planalto Brasileiro, atingindo sua borda na Serra do Mar, e o Litoral Atlântico. O Peabiru atravessava a América do Sul, realizando uma façanha de engenharia que até hoje foi alcançada com dificuldades, apesar de todos os recursos materiais e tecnológicos do século 21. Tinha ramificações atingindo áreas como a do atual estado do Paraná. Na época da expansão bandeirante, foi utilizado para penetração no interior do continente. Muitos trechos do Peabiru foram apagados pela ocupação colonizadora, com fazendas de gado e plantações. Outra versão: teria sido aberta pelos indígenas tupis-guaranis, constantes em busca da “terra sem males”. Foi chamado de Caminho Velho da Barra, hoje totalmente integrado à malha urbana santista. Iniciava-se na Rua Braz Cubas e, no percurso, driblando obstáculos, chegava à Praia do Embaré. Todas as versões apresentam documentos, pesquisas e roteiros a favor das suas propostas com extensa bibliografia. Não pretendemos solucionar essa questão anterior à descoberta do Brasil. As duas versões contêm argumentos que justificariam a continuidade da abertura de um caminho até atingir hoje a Praia do Boqueirão (um dos nomes da Praia do Embaré). Atravessando um lagamar, chegava até uma ilha, chamada pelos tupis-guaranis de Guaiaó. Segundo Francisco Martins dos Santos, Guaiaó significaria “ilha separada do continente pela força e pressão das águas”. Nossa ideia: o Peabiru teria alcançado o mar e depois de uma grande comoção marítima ter invadido esta parte do litoral, formou-se uma ilha, na realidade duas, pois há a Ilha do Guaíbe, hoje de Santo Amaro, território total do município do Guarujá. A Ilha da Guaiaó foi descoberta por uma expedição portuguesa de três caravelas, chefiada por Gonçalo Coelho e recebeu o nome de São Vicente, em 22 de janeiro de 1502, dia de São Vicente Mártir. Dentro da Ilha de São Vicente, encontramos várias trilhas: 1) Trilha do Boi Morto, já foi por nós percorrida, vai de Santos, pelos morros, a São Vicente; 2) Trilha dos colonizadores, pelo Morro do Fontana, descia do outro lado próximo ao Rio Jabaquara (depois utilizada pelos quilombolas), por nós percorrida, e hoje parcialmente urbanizada, atual Av. Nossa Senhora de Fátima; 3) Trilha Pascoal Fernandes, pelos morros, ligando, no século 16, as vilas do Porto de Santos e de São Vicente; 4) Trilha de Domingos Pires, pelos morros de Santos, por nós percorrida, atingia o Engenho São Jorge dos Erasmos, meados de 1534, e chegava à Vila de São Vicente; 5) Caminho do Marapé, contornava os morros, também por nós percorrida, até alcançar a Praia do José Menino. Algumas trilhas são identificáveis pelas sinuosidades do traçado urbano e a maioria das trilhas procura ultrapassar morros, chamado pelos geógrafos de maciço vicentino; 6) Trilha da Rua Barnabé, atual Av. Epitácio Pessoa, caminho paralelo à praia. A praia é um caminho natural, utilizado desde a primeira metade do século 16, e percorrido anteriormente pelos indígenas, como atesta o nome Imbaré. E hoje por multidões, em dias de sol, em busca de espaços livres. Com base nos estudos aqui apontados, concluímos que o Caminho Velho da Barra, hoje urbanizado, é a parte final do famoso Caminho do Peabiru.