Imagem ilustrativa (FreePik) Momentos de instabilidade global revelam, com mais clareza, quais destinos estão preparados para enfrentar crises e continuar gerando resultados. Quem nunca foi pego de surpresa com uma viagem programada e precisou mudar tudo de última hora? Seja por um conflito internacional, uma tempestade, um terremoto ou qualquer outro imprevisto, o roteiro cuidadosamente planejado dá lugar a decisões rápidas. Muitas vezes, a viagem não deixa de acontecer apenas muda de direção. E, em outra oportunidade, voltamos ao destino originalmente desejado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Essa experiência cotidiana ajuda a entender o que ocorre em escala global quando o mundo entra em tensão, como no recente cenário envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos. O turismo não para. Ele se reorganiza. Existe uma ideia comum e equivocada de que crises globais paralisam o setor. Na prática, elas provocam uma redistribuição de fluxos: alguns destinos deixam de ser prioridade, outros ganham protagonismo, e o turista ajusta suas escolhas conforme o risco percebido. O desejo de viajar permanece; o que muda é o contexto. Os impactos vão muito além do mapa. Conflitos no Oriente Médio, por exemplo, não afetam apenas os países diretamente envolvidos, mas repercutem quase imediatamente no turismo mundial: passagens ficam mais caras, rotas são alteradas e viagens longas passam a ser repensadas. Há, porém, um efeito ainda mais sutil e profundo que reduz a disposição emocional para viajar. Mesmo destinos considerados seguros passam a ser avaliados com mais cautela, porque viajar é também uma decisão influenciada pelo ambiente global. Nesse cenário, o turismo doméstico tende a crescer. No entanto, esse movimento nem sempre ocorre de forma estruturada. Muitas vezes, o turista não escolhe ficar, ele apenas evita sair. Destinos preparados conseguem transformar esse comportamento em oportunidade de desenvolvimento. Já aqueles que não estão prontos acabam recebendo fluxo sem estratégia, sem retenção de valor e sem planejamento de longo prazo. O ponto central não é a existência de crises, já que elas sempre fizeram parte da dinâmica global e continuarão existindo. O que diferencia os destinos é a capacidade de resposta. Ainda há muitos que dependem do improviso, da sazonalidade e do “deixar acontecer”. Mas o turismo exige cada vez mais planejamento, organização e visão estratégica. Estrutura é a chave. Momentos de instabilidade global funcionam como um filtro natural. Revelam quais destinos estão preparados e quais ainda dependem de circunstâncias externas para funcionar. O turismo segue resiliente, mas também mais seletivo. Crises não diminuem o turismo, mas elas selecionam quem está pronto para transformar desafios em oportunidades. Selma Cabral. Turismóloga, especialista em planejamento estratégico do turismo