[[legacy_image_258112]] O aumento da violência, seja física ou psicológica, dentro das escolas públicas e particulares é puro reflexo do que está acontecendo na sociedade. Sob a influência também de dois anos de pandemia, do aumento da pobreza e da violência doméstica, nunca os problemas de saúde mental foram tão gritantes dentro dessa instituição e o motivo é o mesmo que atinge a todos. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Estamos perdendo professores, que não suportam mais o estresse da sala de aula, os baixos salários e a falta de valorização da profissão, que exige vocação, mas acaba virando, muitas vezes, a falta de opção de pessoas formadas em outras áreas, mas que não têm a formação adequada, embora muitos se esforcem ao máximo. Estamos perdendo crianças e jovens, seja para os traumas da violência doméstica, dos abusos sexuais ou psicológicos, ou ainda para as drogas ou para a criminalidade. Estamos perdendo muito do futuro de todos nós. Infelizmente, a cada dia que passa sem que toda a sociedade se mobilize, estamos perdendo. As famílias devem se aproximar das escolas e vice-versa. Os educadores devem ter um quadro de multiprofissionais de apoio ao seu dispor. Entre eles: assistentes sociais, psicólogos e, quando necessário, encaminhamento aos psiquiatras, psicopedagogos e mediadores de conflitos especializados em comunicação não violenta e Justiça Restaurativa. Justiça Restaurativa? Sim. Não basta punir o infrator, é preciso recuperá-lo para a convivência escolar e em sociedade. A grande reincidência dos infratores é a maior prova que nosso sistema penal não consegue reeducar ninguém, nem menores, nem maiores. É preciso ouvir a vítima e lhe garantir a recuperação do seu dano, quando é possível, ou lhe prestar o devido apoio emocional e financeiro. É preciso ouvir o infrator e entender o que o levou a cometer a infração. Responsabilizá-lo, fazer com que repare o dano que causou, fazer com que ouça a dor que causou à vítima, levando-o a refletir sobre o seu ato. É preciso ver onde o Estado e a sociedade falharam com ambos, vítima e ofensor. A violência institucional da escola; da falta de moradia; de emprego; de saúde; a violência do racismo; da LGBTfobia; da misoginia. Tudo e todos têm a sua parcela de culpa pelo estado doentio em que a nossa sociedade se encontra. Em 25 anos de sala de aula, da Educação Infantil ao Ensino Superior, nunca vi tantos alunos tomando medicação, nem tantos acompanhantes terapêuticos, nem tantos alunos com depressão, tentando suicídio, com anorexia, bulimia, síndrome de pânico e crises de ansiedade, se automutilando ou ameaçando colegas e professores. O que acontece nas escolas? Ou melhor, o que acontece com o ser humano? Não sei. Mas sei que urge que todos nós façamos alguma coisa. Nem que seja iniciar um debate sobre como prevenirmos o crescente aumento da violência nas casas, no trabalho, nos hospitais, no trânsito e nas escolas (além de combatermos o aumento criminalidade), ou estaremos todos condenados, não importa de que lado das grades.