[[legacy_image_319569]] Acabou o Campeonato Brasileiro. Teve time que quis ser campeão (parabéns ao Palmeiras), teve time que não quis ser campeão (Botafogo) e teve time que quis ser rebaixado (Santos). Nas últimas rodadas, as acirradas disputas no topo da tabela e na temida zona da degola deram um clima emocionante à competição. Mesmo assim, não vejo motivo para tanta empolgação, principalmente da mídia esportiva, pois 2023 não deixará um saldo tão positivo. O Brasileirão escancara a realidade do futebol nacional, decadente, dominado pelos cartolas e empresários oportunistas e sem muitas perspectivas para a Copa do Mundo. O Botafogo chegou a ser apontado como campeão antecipado, tamanha a distância que o separou dos demais times. O clube carioca criou um abismo de vantagem, até então considerada inalcançável, e o campeonato chegou a perder a graça assim que terminou o primeiro turno. Esse mesmo Botafogo deu o ânimo que o Palmeiras precisava. Tudo começou após aquela virada histórica no Engenhão, quando o time da Estrela Solitária vencia com certa facilidade. Mas a perda do pênalti (Weverton defendeu de forma brilhante o chute e o rebote) que sacramentaria a vitória carioca começou a colocar a taça no colo palmeirense. É bem verdade que, de imediato, surgiram outros times com chance de ser campeão. Nessa fila estiveram Flamengo, Grêmio, Atlético Mineiro e até, quem diria, o Red Bull Bragantino. O Palmeiras não se apequenou e seguiu em frente na caminhada pelo bicampeonato, sem dar bola para o surgimento de outros favoritos. Foi em frente tão convicto de sua força que nem precisou de ganhar do Cruzeiro na última rodada. Da mesma maneira como pintaram algumas equipes com chances de título, a briga para escapar do rebaixamento também empolgou e emocionou a ponto de lotar os estádios. Inter, Corinthians, Cruzeiro, Vasco, Bahia e Santos rondaram a zona da degola nas rodadas próximas da reta final. Ainda faltava ser preenchida uma “vaga” na Série B em 2024. E o torcedor mais empenhado na ajuda ao seu time foi, sem dúvida nenhuma, o torcedor do Santos. Além de não deixar espaço vazio nas arquibancadas da Vila, os santistas ficavam nas ruas próximas do estádio para receber os jogadores em dia de jogo. Criaram o corredor de fogo (com sinalizadores). Fizeram tudo que estava ao alcance deles, mas, insisto, o Santos quis ser rebaixado. Quer uma prova desse descaso do elenco: três derrotas na reta final. E o Santos não precisava de combinação de resultados. Bastava se empenhar mais, vencer e ficar livre da degola. Mas, em campo, os jogadores não fizeram a sua parte. Acho que nem o torcedor mais apaixonado acreditava que sem pontuar nos três confrontos o time se salvaria. Pois foi o que aconteceu. Perdeu os três (Flu e Fortaleza em casa e Athletico-PR fora). Aliás, três empates bastavam, pois terminaria com 46 pontos e na frente de Vasco e Bahia. Não sou santista, mas meus filhos, a mãe deles, meus netos, genro e nora torcem para o Santos. Como jornalista, acompanhei e fiz a cobertura da despedida de Pelé do Santos em 1974 e ouvi muita gente dizer que o Santos iria acabar sem o Rei. Mas não acabou, pois em 1978, quatro anos depois, o título de campeão paulista foi do Santos de Juary contra o meu São Paulo em pleno Morumbi. É claro que o palmeirense tem razões de sobra para estar feliz neste final de ano, mas as frustrações causadas pelo Santos, pelo Botafogo e pela nossa seleção não escondem a triste realidade do futebol brasileiro, ameaçado até de ir para a repescagem nas Eliminatórias. Será?