(FreePik) Atualmente, a presença de um ponto de recarga se tornou um item obrigatório e fator decisivo para o proprietário de veículo elétrico ao adquirir um imóvel, seja ele novo ou usado. Em Santos, em especial, alguns empreendimentos novos já contam com pontos de recarga, o que determina para o usuário de carro elétrico a compra ou não do imóvel. A “ansiedade de autonomia” é alimentada por uma infraestrutura de recarga que, embora em expansão, ainda é insuficiente e geograficamente desigual. O questionamento “tem tomada para todos?” não é apenas retórico, mas o ponto central que definirá o futuro da eletrificação. No epicentro dessa mudança, São Paulo acaba de dar um passo jurídico decisivo com a promulgação da Lei Estadual 18.403/2026. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), hoje o Brasil possui pouco mais de 21 mil pontos de recarga públicos e semipúblicos. A proporção atual é de cerca de um carregador para cada 20 veículos plug-in; na China, essa proporção é de 1 para 2. No Brasil, a escassez é agravada pela concentração: cerca de 50% dos carregadores estão em solo paulista. É justamente por essa liderança de frota que a nova legislação de São Paulo se torna um divisor de águas. A lei estadual estabelece que novos condomínios residenciais e prédios comerciais devem, obrigatoriamente, prever infraestrutura para recarga de veículos elétricos. Mais do que apenas instalar tomadas, a lei exige que o projeto elétrico suporte o aumento de carga, resolvendo um dos maiores conflitos atuais: as brigas em assembleias de condomínio por falta de potência disponível. O desafio das tomadas divide-se em três frentes: pública, rodoviária e privada. Na esfera pública, o problema é a rotatividade. Shoppings oferecem recarga, mas o tempo de permanência em carregadores lentos (AC) bloqueia a vaga por horas. Nas rodovias, a questão é a potência. Para viabilizar viagens, são necessários carregadores rápidos (DC), capazes de repor 80% da bateria em 30 minutos. Embora a rede rápida tenha crescido 167% no último ano, ela ainda representa apenas um terço do total. A nova lei paulista ajuda a aliviar a rede pública ao forçar que a recarga principal ocorra no ambiente privado durante a noite, otimizando o sistema elétrico. Em conclusão, a resposta para a falta de tomadas não virá apenas do aumento numérico de pontos, mas da combinação entre infraestrutura e legislação inteligente. Afinal, quem ainda não comprou um carro elétrico certamente já se perguntou: onde irei carregar? O seu endereço está pronto para carregar essa ideia? *Elio F. Junior. Consultor sênior de SGI e riscos corporativos