(Matheus Tagé/ AT/ Arquivo) Os números da Febraban são impressionantes. As transações feitas por mobile banking cresceram 169% em cinco anos e chegaram a 187,5 bilhões de operações em 2025. O celular já responde por 78% das movimentações bancárias. Não é tendência. É rotina. O banco deixou de ser endereço. Virou aplicativo. O brasileiro abre o app, paga conta, transfere dinheiro, contrata seguro e consulta saldo. A tela do telefone virou agência completa. Em média, são 33 acessos por mês. A comodidade venceu a fila e o papel. Mas convém olhar para esse avanço sem deslumbramento. Os bancos prometem segurança, inteligência artificial, biometria, autenticação multifator e monitoramento preditivo. Devem mesmo investir. Afinal, quando o dinheiro cabe dentro de um celular, o golpe também pode caber. O setor prevê investir R\$ 50,4 bilhões em tecnologia neste ano. É muito dinheiro. Parte relevante seguirá para nuvem, inteligência artificial, analytics e big data. A pergunta incômoda é simples: quanto dessa fortuna chegará ao consumidor em forma de serviço melhor, mais seguro e menos caro? Tecnologia não pode servir apenas para o banco trabalhar mais rápido. Tem de fazer o cidadão perder menos tempo, pagar menos taxas e ter mais proteção. A inteligência artificial também merece fiscalização. Apenas 16% dos bancos dizem utilizá-la em larga escala com captura efetiva de valor. Estamos no começo. É justamente agora que se deve discutir responsabilidade, transparência e limites. Há outro detalhe que não pode ser tratado como nota de rodapé. As agências continuam responsáveis por mais da metade das contratações de seguros. O velho balcão ainda resiste, onde a tecnologia não resolve tudo. O futuro chegou pelo celular. Mas futuro bom não é o que apenas acelera o sistema. É aquele que protege quem está na ponta. Banco digital, inteligência artificial, nuvem e computação quântica podem ser extraordinários. Desde que a modernização não transforme o cliente em número, senha ou alvo. Tecnologia deve facilitar a vida. Se começar a complicá-la para aumentar o lucro de quem já lucra bastante, então não é progresso. É apenas sofisticação do velho jogo.