(FreePik) O recente sucesso da trend “Quem é o seu @ no Google?”, que convida usuários a descobrir como a inteligência artificial os descreve, trouxe à tona uma discussão que vai além da brincadeira nas redes sociais. A reputação digital, antes construída principalmente por resultados de busca, plataformas digitais e publicações na imprensa, passa a ser influenciada também por algoritmos que sintetizam conteúdos e apresentam pessoas, executivos e empresas ao público. Agora, o desafio central é garantir que essa narrativa esteja alinhada à realidade, diante dos riscos de interpretações equivocadas e seus impactos sobre a imagem de indivíduos e organizações. Na prática, esses efeitos vão desde informações desatualizadas ou incompletas até leituras distorcidas capazes de comprometer a percepção pública. Resumos podem destacar apenas parte da trajetória de um profissional, omitir contextos relevantes ou reforçar associações que não representam sua atuação atual. O mesmo ocorre com lideranças e organizações, quando episódios isolados, iniciativas ou conteúdos antigos ganham maior peso em sínteses automatizadas. Cada vez mais, essas ferramentas se tornam o primeiro ponto de contato com pessoas e marcas, e a forma como os dados são organizados e apresentados pode construir — ou distorcer — a credibilidade. Diante desse cenário, torna-se essencial adotar uma postura mais ativa na gestão da presença digital. Em um ambiente mediado por algoritmos, não basta ser encontrado — é preciso também moldar como essa narrativa é construída. Essa postura mais ativa reforça o caráter estratégico da reputação digital, que deixa de ser apenas um reflexo da presença online e passa a influenciar decisões de mercado. Para executivos e empresas, cada conteúdo disponível pode impactar contratação, parcerias e oportunidades de negócios. No fim, essa construção deixa de depender apenas do que é comunicado e passa a ser influenciada também pela forma como conteúdos são analisados e reorganizados pela inteligência artificial. Em um ambiente em que essas tecnologias participam cada vez mais da mediação da informação, a reputação se sustenta menos em afirmações pontuais e mais na coerência da narrativa ao longo do tempo. *Renan Bulgueroni. Formado em Tecnologia com especialização em Gestão Estratégica de Riscos e Crises, fundador e CEO da Hawkz