(Imagem ilustrativa/ Gerada por IA) Mesmo ainda com tanto descaso e maus-tratos às mulheres, principalmente em países latinos em que o machismo é impregnado, o Dia Internacional da Mulher deve ser apreciado como um lembrete de valorização do corpo e da mente femininos. Minha saudação, porém, se deixou levar não pelas letras, mas por mulheres que marcaram meu ser como se fosse uma microcâmera percorrendo dentro de meu corpo, por entre órgãos, veias e sangue até chegar em meu DNA. Foram três gerações que me ensinaram com a cultura que tinham, a do coração, com rigor à boa educação, honestidade e a não enfraquecer perante as agruras da vida. Da herança mais perto da Árvore Genealógica da família, destaco minha bisavó materna Giuseppa, que criança junto de seus irmãos e pais largaram a dura vida na cidade litorânea Cotrone, da Calábria, Itália, vindos no navio América, atracado no Porto de Santos para tentar uma vida melhor. Iniciava-se o século 20 e a bisa vivia sob o preconceito do lábio leporino, a única entre os irmãos. Foi passando a mocidade no Brás, na capital paulista, que ela conheceu meu bisavô Gabriel, de Coimbra, Portugal. O casal, retornando a Santos, enfrentou anos difíceis para cuidar dos cinco filhos, um morreu na época da Gripe Espanhola, em 1918, sendo enterrado em vala comum aberta, no Cemitério do Saboó. Outra mulher importante em minha jornada foi a vó materna e madrinha, filha da Giuseppa, Bárbara/Jandira, que teve seus estudos interrompidos ainda criança para trabalhar e ajudar nas finanças. Época que quando podia, se divertia junto aos coleguinhas da vizinhança com atividades circenses ou pegando jambolão de árvores entre os canais 1 e 3. E minha mãe Neyde, com seu rigor aos estudos fui seguindo em frente. Foi ela também que me conduziu ao gosto pelo cinema e à música erudita, já que amava violino. E assim foram me moldando às boas maneiras e educação. Também aproveito para saldar à vó Piedad, minhas saudosas tias Ivete, Vera, Nilza e Maria Helena e as que estão por aqui, Regina e Dirce. E ainda as mulheres de todo o mundo: negras, asiáticas, indígenas, brancas, sardentas, baixinhas e muito altas, gordinhas e magrinhas, sem cabelos com turbantes, as que não têm um seio, que usam bengala, queimadas, menina com boneca e outra com futebol, às mulheres trans; às que trabalham na feira, advogadas, domésticas, professoras, operárias, nas esquinas, nas ruas por abandono, nos asilos, enfim, todas nós merecemos Respeito! Há de um dia não precisarmos mais comemorar a data. Quando a senda do amor perfeito for apreciada por homens do mundo inteiro, como reflexão sobre questões de violência, feminicídios, abuso sexual de menores, desigualdade salarial... merecemos Igualdade! *Míriam Santiago. Jornalista