(Reprodução) Antes de iniciar a minha manifestação, preciso dizer do meu cansaço e frustração de 34 anos de luta para resgatar o maior dos brasileiros. Conseguimos, ao criar o Movimento Pró-Memória de José Bonifácio, que reúne todas as forças vivas da nossa cidade, como Rotary, Lions, Soroptimistas, Maçonaria e universidades, aprovar leis nos âmbitos municipal, estadual e federal. Elas foram aprovadas por unanimidade, mas as suas execuções não se fazem presente. E quando comemoramos, como é o caso da solenidade de hoje, a lei é cumprida apenas parcialmente, prejudicando a disseminação do pensamento da obra e da luta de José Bonifácio. Nesta celebração dos 263 anos de nascimento do Patrono da Independência, cujo berço aconteceu nesta terra de Santos, a reverência, mais uma vez, torna-se necessária. Ao articulador e estrategista da nossa Independência somam-se o unificador e consolidador da Nação. Entretanto, o mais importante do grande Andrada era o sonho de tornar a nossa Pátria democrática, onde a miscigenação de raças, aliada à educação pública representava um valor, bem como o respeito à diversidade do pensamento, cultura e religião se fariam presentes. Os seus grandes projetos como deputado, traduzidos pelo seu ideário iluminista, levaram-no a ser cassado, banido e exilado para a França pela classe dominante, que não aceitava perder seus injustos privilégios. Ao defender a reforma agrária, a libertação dos escravizados e o ensino público, princípios sagrados da democracia e que reproduzia a bandeira deflagrada pela Revolução Francesa, cujos objetivos foram a educação e terra para todos, ele consagrava a liberdade, igualdade e fraternidade. Nesse sentido, fomos em 2024 à cidade de Bordeaux, na França, onde ele esteve exilado por seis anos, para vivenciar melhor o seu sofrimento pela derrota sentida. Mesmo assim, ele não se deixou vencer, pois aproveitou esse período para desenvolver vários projetos nas áreas das ciências e das artes, onde até desenvolveu a veia poética, com o pseudônimo de Américo Eliseo. Antes de sermos patriotas exacerbados, diante do nosso Patrono, honraremos neste 13 de junho o seu ideal de luta, na defesa dos direitos do homem. Santos torna-se com o Patrono da Independência, que aqui nasceu, o berço da nacionalidade. E este Panteão dos Andradas, onde jaz seus restos mortais, o Templo Nacional que há de iluminar as mentes dos brasileiros dignos, a fim de tornar nosso país, a Nação sonhada por Bonifácio. Esperamos que no menor espaço de tempo haja uma união e empenho dos poderes municipal, estadual e federal para a criação de um memorial à altura do maior estadista consagrado deste País, para que seu legado seja reconhecido pelas futuras gerações. *Arlindo Salgueiro. Fundador do Movimento Pró-Memória de José Bonifácio, psicólogo e psicoterapeuta