(FreePik) Quem não as tem. Umas mais simples, outras nem tanto. Como cantou Dolores Duran, “entre as manias que eu tenho, uma é gostar de você. Mania é coisa que a gente tem, mas não sabe porque”. Nesses versos, a grande compositora brasileira da década de 1950 explorava o uso da palavra “mania” tanto no senso comum quanto no poético. Ter “mania por você” significa pensar sempre em você e querer estar sempre com você. Eu tenho uma mania da qual não abro mão: arrumar os quadros tortos na parede, não importa a casa de quem for. Uns não conseguem sair de casa sem tomar banho. Roer unhas é uma das mais universais. Já repararam em gente que “come boca”, rói as bochechas por dentro? São tantas as manias.... evitar pisar em linhas ou rachaduras no chão é outra. E ler placas de automóveis? No tempo de faculdade, tive um amigo que repetia os nomes dos colegas. Assim, eu passei a ser o Marcio arcio, o Paulo era o Paulo aulo; ele o Sergio ergio. Eu achava fantástico, supercriativo. De repente, o que o leitor achava que era segredinho seu, agora quase que se torna público. Não se preocupe. Manias inocentes, e se for por amor, melhor ainda, fazem parte de nossas vidas. Na mente humana, nem tudo que é diferente é anormal. A normalidade é discutível e pode não passar de hábitos e costumes da maioria de uma sociedade. O que é normal aqui, pode não ser lá. Entre nós, comer escorpião é, no mínimo, exótico e repulsivo. Mas quando não se tem outra fonte de proteína, torna-se aceitável. Beijar-se em público é usual. Não no Afeganistão, imagino. Mas se a pessoa vai todos os dias ao consultório médico por achar que está infartando, então o caso é psiquiátrico. As manias são inocentes a depender de sua frequência e intensidade. Se você estiver deixando de fazer coisas importantes, como se relacionar socialmente ou trabalhar, por causa de suas manias, preste atenção. Às vezes, essa fronteira pode ser sutil. Os transtornos de ansiedade afetam 2% da população mundial. É fundamental não confundir as manias “bobas” com a as “destrutivas”. Nos diz Mario Quintana: “Tenho essa mania boba de amar demais, de me doar sem medida, de confiar sem reservas”. Ele nos fala de sua mania como entrega afetiva. Mas temos outras manias que devemos prestar atenção: mania de lavar as mãos que impede a pessoa de sair do banheiro por horas a fio é motivo suficiente para acender a luz vermelha. *Marcio Aurelio Soares. Médico