(Divulgação) Se você está lendo esse artigo com um bombom na mão, sorria: você é um privilegiado! Em pleno 2025, com ovo de Páscoa custando o equivalente a um botijão de gás e bombom sendo parcelado em quatro vezes sem juros, o consumidor brasileiro decidiu fazer o que nunca pensou que faria... pensar antes de comprar! Segundo pesquisa da CNDL e SPC Brasil (que vivem medindo o humor financeiro do brasileiro, uma espécie de “psicólogo de bolso furado”), este ano teremos 102,6 milhões de consumidores às compras, ou seja, quatro milhões resolveram fazer jejum... de chocolate. A desculpa oficial? Economia. A real? O nome já está sujo na praça e até o coelhinho está com nome no Serasa. Na fila da penitência, temos: 23% querendo economizar (possivelmente para comprar o mesmo chocolate com 50% de desconto na segunda-feira pós-Páscoa), 21% atolados em dívidas, 20% desempregados (esses não compram nem o papel laminado) e 16% que simplesmente não têm esse costume – também conhecidos como “os mais sábios da geração”. Mas calma que ainda tem quem presenteie! E os filhos continuam sendo os campeões da barra de chocolate. Mães e cônjuges empatam no coração (e no bolso) dos compradores, seguidos por sobrinhos e... pelo próprio comprador. Sim, brasileiro presenteia a si mesmo. Afinal, se é pra chorar, que seja com um ovo recheado de brigadeiro artesanal. A média de gasto: R\$ 247 com cinco produtos. O que, para quem está com o nome no SPC, equivale a deixar de pagar duas contas de luz e meio botijão de gás. O brasileiro vive de fé e... de crédito parcelado. Mas veja o otimismo: 72% pretendem pagar à vista, principalmente via Pix. Porque se é para sofrer, que seja só uma vez. No topo do cardápio pascal: ovos industrializados (55%), seguidos dos bombons, chocolates caseiros e barras. As lojas físicas ainda reinam: 95% vão bater perna atrás de uma promoção que caiba no bolso e na dignidade. Supermercados, lojas especializadas e grandes varejistas se preparam para a maratona. E, claro, 44,4 milhões de brasileiros deixarão para comprar na última hora. O brasileiro não compra chocolate – ele caça, em modo de sobrevivência. Mas há um dado que faz qualquer nutricionista dormir tranquilo: 33% dos que pretendem comprar chocolates estão com contas atrasadas, e 76% desses têm o nome negativado. E, mesmo assim, vão comprar. Porque brasileiro não desiste nunca... da sobremesa. No fim das contas, a Páscoa brasileira continua sendo uma bela metáfora do país: cheia de fé, criatividade, chocolate e boletos. Feliz Páscoa. E que o coelhinho não traga a conta de luz! *Gregório José. Jornalista, radialista e filósofo