(Reprodução) Acabamos de comemorar o Dia da Independência do Brasil. Mas o que se viu, em muitas partes da nossa nação, foram homenagens que contrariam essa data e seus marcos históricos. Pessoas foram às ruas para aclamar uma figura de um país estrangeiro, justamente de quem pretende acabar com nossa soberania e nossa liberdade. Da minha parte, quero falar de um santista e brasileiro emérito, que merece nesse momento ser lembrado. Na minha história de vida fundei, há 33 anos, o Movimento Pró-Memória de José Bonifácio, ao perceber que pouco se sabia de sua trajetória exitosa de homem público, pesquisador e ligado à política, às ciências e às artes. Ele foi o defensor dos oprimidos: negros, mestiços e índios e criou o Projeto de Libertação dos Escravos, começando, como exemplo, tornando livres os 200 escravizados da família. Ao mesmo tempo, defendeu a manifestação cultural dos negros, que, na sua época, eram banidos, com pelourinho e prisão. Interessante lembrar que os empresários do comércio e pessoas influentes de Santos incentivaram a criação do Quilombo do Jabaquara, que significa lugar de fugitivos, para onde vinham os que não suportavam mais a escravidão. Daí a cidade de Santos ter em seu brasão de armas o lema em latim - “Patriam, Charitatem et Libertatem Docui” (À Pátria Ensinei a Caridade e a Liberdade). Na linha de defesa, já falava também da dignidade da mulher e da criança, sendo inspiração para o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente -, assim como defendeu os povos originários, enaltecendo a sua cultura e religião. Na época, os índios eram considerados selvagens pela elite. A Funai - Fundação Nacional dos Povos Indígenas - foi criada nessas suas inspirações. Bonifácio tentou implantar a Reforma Agrária, ainda não executada no Brasil, motivo que levou as autoridades da época a cassarem seu mandato e mandarem-no para o exílio na França. Outra causa abraçada por José Bonifácio foi a escola pública, como fundamento principal da Democracia e colocou na Constituição de 1823 esse compromisso de educação para todos, seguidor que era da bandeira da liberdade, igualdade e fraternidade. Ele morreu sem bens, não aceitou honrarias do poder público, como o título de Marquês nem a condecoração máxima - a Ordem do Cruzeiro do Sul. Com esses exemplos expostos, mas que ainda existem outros tantos na área da ciência, faço uma pergunta - quais os políticos atuais que mais se aproximam dos seus ideais revolucionários e capazes de elevar a nossa pátria ao lugar da liberdade e da soberania, sem interferências externas?