(Imagem ilustrativa/ Magnific) Nos Estados Unidos, quase US\$ 1 trilhão foi direcionado à infraestrutura de inteligência artificial (IA) nos últimos três anos. Apesar desse investimento sem precedentes, dados recentes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam uma realidade preocupante: a produtividade global permanece estagnada. A economia da IA, portanto, parece menos uma era mágica de abundância e mais uma fase de indústria pesada, na qual a produtividade árdua se torna essencial diante da redução da força de trabalho. Em São Francisco, o capital de risco continua perseguindo a chamada IA com capacidade de agir (agentic AI), embora de forma mais seletiva que no frenesi de 2024. Para gigantes como Google, Microsoft e Amazon, a lógica é simples: construir ou perecer. O mercado aposta que a expansão da infraestrutura e do hardware inevitavelmente produzirá lucros. Contudo, a produtividade multifatorial, que mede a eficiência com que trabalho e capital são combinados para gerar produção, permanece praticamente estagnada no G7, enquanto a Zona do Euro registra retração. A história mostra que novas tecnologias precisam de tempo para transformar processos. A eletricidade, por exemplo, levou décadas para produzir ganhos expressivos. Inicialmente, fábricas apenas substituíram motores a vapor por elétricos; o salto ocorreu quando os estabelecimentos foram inteiramente reorganizados para aproveitar a nova tecnologia. A IA ainda parece estar nessa etapa inicial. A comparação com a internet é igualmente reveladora. Entre 1995 e 2004, sua expansão contribuiu para um crescimento médio de produtividade próximo de 3% nos Estados Unidos, ao reduzir custos e atritos de comunicação. No ciclo atual da IA, entre 2023 e 2026, os ganhos avançam muito mais lentamente, entre 0,4% e 0,8%. A tecnologia que gerou algumas das maiores expectativas da história ainda não produziu o prometido choque de oferta. Em 2026, a IA pode ser entendida como uma indústria pesada, intensiva em capital e energia. A dimensão demográfica reforça essa transformação. Com a força de trabalho encolhendo em países como Alemanha e Japão e 75% dos empregadores relatando dificuldades para preencher vagas, a IA deixa de ser apenas uma ameaça ao emprego e passa a funcionar como uma prótese digital. Ao final do ciclo de 2025-2026, o Paradoxo de Solow 2.0 sugere uma conclusão menos grandiosa, porém mais concreta: investir em IA não é garantia de crescimento exponencial, mas pode se tornar o preço para permanecer competitivo. O mundo está destinando cerca de US\$ 1 trilhão não apenas para conquistar o futuro, mas para sustentar o presente. A verdadeira explosão de produtividade poderá surgir quando a infraestrutura estiver madura, os custos forem menores e os processos forem reorganizados. Por enquanto, vivemos o ruído da construção — antes de colher os resultados da eficiência. *Jorge Monteiro junior. Economista e doutor em Engenharia