(Unsplash) Ao refletir sobre a definição de um herói como uma pessoa corajosa, valente, altruísta, que supera adversidades e desafios para proteger os outros e, muitas vezes, deixa um legado inspirador, lembrei-me de alguém que fez parte da minha vida por muitos anos. Ele era natural de Santos, filho de um simples lusitano oriundo da Batalha. Talvez essa palavra o tenha instigado, desde pequeno, a vontade de superar inúmeras dificuldades. Com seus pais, aprendeu o valor do trabalho árduo e, através da religião, foi atraído para os estudos, tendo desenvolvido uma vasta cultura. No dia em que ele escolheu passar para o outro plano, às vésperas da primavera, o sol brilhava, e o vento característico fazia as folhas secas caírem das árvores. Ele aguardou a noite chegar e, em silêncio, partiu para uma dimensão superior. Era típico dele, um homem humilde, desprovido de vaidade, que se orgulhava de sua família e do trabalho que realizava com dedicação e qualidade. Como educador, conquistou milhares de pessoas com sua dedicação, simpatia e carinho, incluindo sua esposa, com quem formou uma família com quatro filhos, seis netos e três bisnetos. Ele foi um empreendedor da harmonia, buscando valorizar e promover o bem-estar das pessoas. Apesar de sua personalidade discreta, deixou rastros invisíveis e inspiradores em todos os lugares em que esteve. Ele estimulou a prática de bens e valores intangíveis — como a gratidão, caridade, solidariedade, alegria, união e o valor da família — que não podem ser tocados ou mensurados. Em um mundo competitivo, dividido e fragmentado, onde prevalece a busca por ser o maior ou o melhor, sua maior ambição era superar a si mesmo, competindo apenas consigo. Ele se esforçava para agir com retidão e excelência. Um dos seus desejos era se reencontrar com seu pai. Assim, entre muitos familiares, parentes e amigos, nos despedimos dele no Cemitério do Paquetá, ao lado de seu pai. Enquanto isso, avistei um gato cinza, deitado em cima de um jazigo, que também observava sua partida. O gato, impassível e envolto pelo silêncio, com seus grandes olhos escuros, parecia fazer uma longa retrospectiva da vida do meu herói invisível. Naquele instante, tive plena certeza de que muito do que sou e alcancei é herança dele — um legado não escrito, mas repleto de exemplos concretos. Afinal, com imenso orgulho, como filho, sou um pedaço do professor Oswaldo Ferreira Franco. *Marcos Anselmo Ferreira Franco. Administrador de empresas, escritor e membro da Academia Santista de Letras