[[legacy_image_308627]] A desinformação não é um fenômeno novo, mas seu alastramento nas redes sociais e comunidades digitais a tornou mais difundida e perigosa. Não se restringindo apenas às redes, mas afetando as nossas vidas, o negacionismo climático é um dos exemplos mais críticos desse problema. Enquanto enfrentamos condições climáticas cada vez mais oscilantes e preocupações que estão batendo à nossa porta, resta a questão: como frear o negacionismo climático? A negação das mudanças climáticas permeia diversos setores da sociedade que consomem diariamente o imediatismo e a superficialidade das informações nas redes sociais. Pior: muitas vezes usando essa plataforma de comunhão com uma falsa sensação de debate científico. No entanto, a Ciência é clara quando defende que as atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento são as principais causas das mudanças climáticas que estamos vivenciando. O que vemos é que o negacionismo climático tem impacto direto em nossas vidas, desde eventos climáticos extremos mais frequentes e intensos até a perda de biodiversidade e o aumento do nível do mar. Não se trata apenas de um problema futuro, mas algo que já está presente e que, para além do meio ambiente, também afeta nossa economia e saúde: desastres naturais relacionados ao clima, como furacões, incêndios florestais e inundações, custam bilhões em danos e sobrecarregam os sistemas de saúde, além de custar vidas humanas e animais. Além disso, estudos evidenciam como o negacionismo climático mina a confiança nas instituições científicas e políticas, pois quando as pessoas são expostas a informações falsas, que negam as mudanças climáticas, tornam-se céticas em relação a outras informações baseadas em evidências, prejudicando a capacidade da sociedade de enfrentar desafios complexos. No entanto, há passos que podemos tomar para frear o negacionismo climático e seus impactos. Em primeiro lugar, é essencial promover o letramento crítico midiático e a alfabetização climática, aproximando a sociedade da Ciência e de como a crise climática afeta a nossa vida cotidiana. Os meios de comunicação desempenham papel vital na responsabilidade pela divulgação de informações precisas. Jornalistas têm a responsabilidade de evitar a falsa equivalência, ou seja, a ideia de que apresentar “versões do fato” de opiniões que supostamente tenham o mesmo peso do que o debate científico real sobre as mudanças climáticas. No campo de políticas públicas, é crucial que líderes globais adotem políticas ambientais sólidas, com metas de redução de emissões e investimentos em energias limpas. Isso não apenas ajuda a combater as mudanças climáticas, mas também envia um sinal claro de que a negação das mudanças climáticas não é uma posição sustentável. Em última análise, a batalha contra o negacionismo climático é uma batalha pela nossa própria sobrevivência – e, mais do que sobreviver, viver. Enquanto isso, até quando iremos tolerar a negação do nosso futuro já tão infiltrada no nosso presente? Sidnei Aranha. Superintendente de Meio Ambiente, Saúde e Segurança do Trabalho da APS e doutorando na Unifesp