(FreePik) Como bom católico, aos domingos vou à missa. Costumo participar da missa pela manhã, pois à tarde gosto de assistir à minha série favorita, The Chosen, tomando café e saboreando um bolo integral de banana. A missa dominical costuma ser disputada. Chego à igreja quinze minutos antes do início e percebo que metade do templo já está ocupada. Resta-me apenas um banco de madeira mais ao fundo. Fico pensando: a que horas eu deveria chegar para conseguir me sentar mais à frente, à direita, ao lado da imagem da Santa? Enquanto os presentes ocupavam seus lugares, os coroinhas preparavam o altar para a cerimônia. Endireitavam toalhas, organizavam os objetos litúrgicos e cuidavam dos últimos detalhes para o início da missa. Às nove horas, a missa começou. A igreja estava praticamente lotada, e os últimos assentos já encontravam seus ocupantes. Sempre penso que alguns frequentadores deveriam sincronizar seus relógios de pulso com os ponteiros do relógio da igreja, evitando desencontros de horário. Poucos minutos depois, o cenário estava completo: a turma do fundão havia chegado. O recolhimento dos presentes misturava-se às palavras do sacerdote. Alguns rezavam, outros buscavam conforto para as inquietações da semana, enquanto muitos apenas se permitiam alguns instantes de reflexão. Mas foi justamente no meio daquela atmosfera de serenidade que conversas paralelas começaram a disputar espaço com a homilia. Fiquei imaginando o que estaria sendo discutido com tanta urgência. Talvez uma receita de bolo, o resultado do futebol ou algum acontecimento da semana. Pela animação dos gestos, parecia um assunto dos mais importantes. Afinal, o comportamento lembrava o velho fundão da sala de aula: conversas incessantes, distrações e pouca atenção ao que realmente importava. A diferença é que, ali, não se interrompia apenas um professor, mas a quietude que tantos procuravam para conversar com Deus. Bastaram alguns olhares discretos para que a tranquilidade voltasse a ocupar os bancos da igreja. A cerimônia prosseguiu embalada pelos cânticos, pelas orações e pela Eucaristia. Ao final, rezamos o Pai-Nosso, recebemos a bênção e retornamos aos nossos lares. No caminho de volta, quase sempre faço uma breve parada na doceria da esquina para um cafezinho. Ali, sim, as conversas encontram o momento certo para acontecer. Entre um gole e outro, observo as pessoas comentando a missa, compartilhando acontecimentos da semana e renovando amizades. Com a fé fortalecida e o coração mais leve, sigo pensando nas reflexões daquele encontro comunitário até chegar em casa Uma reflexão me acompanha pelo restante do dia: em meio à correria da vida, será que ainda sabemos reservar alguns instantes de verdadeiro silêncio para ouvir aquilo que Deus tem a nos dizer? Eu volto no próximo domingo, provavelmente em busca do mesmo banco, do mesmo silêncio e das mesmas reflexões. Até a próxima missa. *Sergio Rezende Peres. Tecnólogo e cronista