(FreePik) “Transformar não é utopia, é metodologia.” Essa frase impulsiona o nosso fazer diário e é uma forma de pensar o que trouxe o Instituto Elos até aqui, neste ano em que completamos 25 anos. Esta forma de pensar também já me fez presenciar vários milagres coletivos pelo mundo: de uma creche improvisada de palafitas até um dos mais importantes projetos de arte do país (o Instituto Arte no Dique, que incubamos), até um país marcado pelo conservadorismo nos direitos humanos começar a pensar junto em políticas urbanas para moradia, na região oeste dos Estados Unidos. Milagres que resultaram da metodologia que prova que o social não é espetáculo, é um trabalho difícil, sistemático, mas que se nutre do potencial, pertencimento e protagonismo de cada um. Mas também quero falar do trabalho com as comunidades e repetir a provocação que trouxe no painel “O Impacto da Agenda Social”, realizado no Grupo Tribuna no encontro Agenda ESG 2025, em que tive a oportunidade de afirmar: o empresariado local, especialmente o ligado ao porto e às cadeias produtivas da Baixada, precisa deixar de olhar a situação de fora. É urgente que essas empresas assumam responsabilidade ativa com escuta, com co-planejamento e com investimento real ao lado das comunidades. Todo mundo ganha com isso! Na medida em que temos um ambiente social mais sadio, ganhamos qualidade de vida, e um cenário mais propício para os negócios prosperarem. Durante a pandemia, trouxemos ao nosso território mais de 2 milhões de parcerias, enquanto conseguimos mobilizar apenas 50 mil da Baixada. Tal contraste revela o quanto temos foco desviado e não cuidamos de quem mais trabalha pelo progresso santista: as comunidades locais. É preciso reconhecer as comunidades como polos de inovação estratégica, e transformar este reconhecimento em investimento real. No São Manoel, a Horta Bons Frutos começou como um sonho que era impossível para moradoras que atuaram ao nosso lado no programa internacional Guerreiros Sem Armas, em 2014. Dez anos depois, o projeto conta com apoio do setor privado e público, e recentemente teve sua inovação reconhecida no projeto Periferia Viva, do Governo Federal. Pessoas e empresas detentoras de capital precisam pensar menos em retorno imediato e mais em legado. Que o mote “transformar não é utopia” inspire não só discursos, mas práticas reais, duradouras e abertas ao protagonismo de quem vive a Baixada por dentro *Rodrigo Rubido. Arquiteto, co-fundador e diretor do Instituto Elos